Gilberto Carvalho defende ministro do Trabalho e entidades filantrópicas

'Isso é um dado novo', disse o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência quando questionado sobre as denúncias publicadas na edição desta segunda-feira no Estado

Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2013 | 15h37

Brasília - O titular da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, defendeu o ministro do Trabalho, Manoel Dias, e as entidades filantrópicas nesta segunda-feira, 16, mas pediu "rigoroso processo de fiscalização" nas instituições para evitar desvios de recursos públicos - o que considera "um crime que tem que ser severamente punido". Carvalho aproveitou a cerimônia de comemoração da inclusão de funcionários com deficiência no Planalto para citar irregularidades em ONGs, mas evitou comentar as denúncias publicadas nesta segunda, no Estado, de que a mulher de Manoel Dias estaria ligada a convênios irregulares.

"Isso é um dado novo", limitou-se a dizer. Em segunda, defendeu Manoel Dias, ressaltando que "quem o conhece sabe da seriedade dele, da história dele" e da importância do trabalho desenvolvido pelas entidades sociais. "Eu, sinceramente, não posso acreditar que haja qualquer problema com o ministro. Boa parte dos convênios que estão no ministério do Trabalho não é da época dele. Ele tomou as providências necessárias, que foi a suspensão dos convênios para uma análise", declarou.

Gilberto preferiu se concentrar na defesa das ONGs, Santas Casas e outras instituições. O ministro afirmou que se as entidades sociais parassem de trabalhar, "teríamos uma catástrofe". "Quem cuidaria de tantos orfanatos, quem cuidaria de tantos abrigos para órfãos, quem cuidaria do trabalho de jovens que infelizmente que se envolvem com drogas, quem cuidaria dos idosos?", questionou.

Para Carvalho, "nós jamais poderemos entrar numa linha de criminalizar as entidades" e "temos que dar crédito a elas". Mas ressalvou que, junto com isso, é preciso ter um rigoroso processo de fiscalização do dinheiro público porque "ele é sagrado e a picaretagem não pode ter vez e as entidades sérias querem uma fiscalização maior".

Após defender estas instituições, inclusive a Igreja Católica, que recomendou repasses de verbas para o Centro de Atendimento ao Trabalhador (Ceat), o ministro Gilberto Carvalho disse ter ficado "frustrado" com o que aconteceu. "Tem uma denúncia de uma entidade que eu apoiei. De fato, apoiei durante muito tempo porque acreditava na sua sinceridade", afirmou o ministro, em discurso. Depois ele contou que conversou com Don Odilo Scherer e Don Claudio Hummes, que lhe pediram apoio às instituições e eles lhe disseram que também não sabiam de nada.

Gilberto disse se sentir "frustrado" e reconheceu que, neste processo do Ceat, houve "malversação" de recursos ao longo do processo, "embora fosse uma entidade reconhecida, que prestasse os serviços que eram reconhecidos". "Mas infelizmente houve ali um desvio, ao que tudo indica, o que a PF aponta e a gente lamenta. Assim como Dom Claudio e Dom Odilo já me expressaram a sua surpresa com este episódio", disse ele, acrescentando "a igreja está de queixo caído".

O ministro saiu em defesa da igreja, afirmando que confia nela e que segue confiando. "A igreja católica tem prestado um serviço inestimável à questão social no País. E nunca vamos negar. Pelo contrário, nós seguiremos trabalhando em parceria, seguiremos trabalhando em cuidar dos excluídos, o que as igrejas fazem com muita competência, com muita generosidade".

Gilberto afirmou estar revoltado porque, neste caso, houve crime já que as pessoas usaram recursos públicos para outro fim que não aquele que foi destinado, que era o coletivo. "Foi uma apropriação indébita do recurso público. É um crime que tem que ser severamente punido".

Questionado se não se tratava de caso semelhante ao mensalão, onde recursos públicos foram usados, Gilberto respondeu: "não vou falar do mensalão porque tenho uma crença histórica de que não houve desvio de recursos públicos. Houve sim um erro que precisa ser punido e todos nós sabemos que é o uso de caixa 2 em processos eleitorais. É disso que se trata a meu juízo. Então, qualquer desvio tem que ser punido. Não há dúvida nenhuma".

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