Giannetti 'teme' que Levy não consiga lidar com questões políticas

Responsável pela proposta econômica da candidatura de Marina Silva (PSB), economista Eduardo Giannetti comentou a nomeação de Joaquim Levy para a Fazenda

Carmen Pompeu, especial para O Estado, O Estado de S. Paulo

27 de novembro de 2014 | 21h07

 Fortaleza - Guru da equipe econômica caso Marina Silva fosse eleita presidente do Brasil, o economista Eduardo Giannetti, reagiu ao anúncio oficial da nova equipe econômica da presidente Dilma Rousseff. Falando nesta quinta-feira, 27, para 400 empresários em Fortaleza, no fórum Brasil em Debate, Giannetti elogiou a escolha de Joaquim Levy para ministro da Fazenda, mas fez uma ressalta. "Acredito no trabalho econômico dele, mas temo que ele não consiga lidar com as questões políticas que envolvem o cargo. Os políticos lidam melhor com a complexidade da economia, do que os economistas com a complexidade da política", comparou. 

Para Giannetti, "caso o ministro Joaquim Levy possa colocar em prática suas ideias, é possível que o cenário de turbulências comece a mudar. Dá para terminar 2015 com a inflação convergindo para o centro da meta. Não vai ser um ano de crescimento ainda, mas se tudo correr bem, é possível imaginar um crescimento de um a um e meio por cento", prevê.

Segundo ele "o crescimento ainda não será possível devido à atual situação, que congrega baixo crescimento crônico, com dois semestres de Produto Interno Bruto negativo; alta inflação; e vulnerabilidade externa".

Para compreender os problemas vivenciados pelo Brasil atualmente, é preciso analisar um fator: a carga tributária, que aumentou em todos os governos, desde 1988. "Hoje a carga tributária bruta do Brasil é de 36% do PIB, e mais, o Estado brasileiro gasta 5% do PIB acima do que arrecada", aponta. Giannetti afirma, portanto, que 41% do PIB nacional é drenado do setor privado, das empresas, e das famílias. Na contramão deste número, está o percentual de investimentos em máquinas, equipamentos e infraestrutura, que é de apenas 2,5%. "O Estado está drenando 41% da nossa renda e investindo apenas 2,5% em capital físico, ou seja, naquilo que multiplica a capacidade produtiva, a capacidade de geração de renda, que traz crescimento", diz.

Giannetti ironizou que a atual situação econômica do Brasil "só não pior da Era Floriano Peixoto e na Era Fernando Collor". "Tem que mudar o rumo da Economia, no que pese a Dilma ter sido reeleita em cima de geração de emprego crescente. Mas uma geração de emprego maquiada que esconde a geração 'nem, nem' - nem trabalha, nem estuda - escondeu que os jovens estão entrando cada vez mais tarde no trabalho e a Indústria está demitindo".

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