Gestor, boleiro e à caça de verbas

Campos é típico de prefeito paulista: católico, bacharel em direito e filiado a grande partido

José Maria Tomazela, CESÁRIO LANGE, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Toda quarta-feira, o prefeito Ramiro de Campos deixa a pequena Cesário Lange, cidade cercada por canaviais, às margens da Rodovia Castelo Branco, na região de Sorocaba, e percorre os 145 quilômetros que a separam da capital. Como a maioria dos prefeitos das pequenas e médias cidades do interior, ele vai atrás de verbas do governo para compensar a falta de receita própria e atender às necessidades dos 15 mil moradores.Para reduzir essa dependência, ele quer reservar uma grande área e levar indústrias para o município. "Nossa localização é muito boa." Campos tem o perfil do típico prefeito paulista: aos 48 anos, é católico, formado em direito e filiado a um grande partido, o PSDB.Saiu da iniciativa privada para a vida pública - era gerente de uma indústria - e se adaptou ao uso da internet. Só não conseguiu aprender o inglês. "Desisti do curso por causa da campanha política." Corintiano, acompanha jogos e o noticiário pela televisão e, toda semana, reúne os amigos para jogar futebol. "Fico sempre para o terceiro tempo, o churrasco com cerveja."Filho de um comerciante tradicional, do tempo em que se vendia fiado e as compras eram marcadas numa caderneta, entrou na política pelo exemplo do pai, o vereador mais votado na história do município, criado há 50 anos. "Fui vereador por três legislaturas seguidas."Na gestão passada, foi vice-prefeito. Em 2008, decidiu disputar a prefeitura e obteve 65% dos votos válidos. Ele acha que se tornou conhecido na cidade porque sempre participou de tudo, de eventos esportivos a romarias - todo ano vai com um grupo de romeiros para o santuário na cidade de Aparecida. "Nunca morei fora de Cesário Lange, nem para estudar."Na época da faculdade, Campos viajava todos os dias. Como bom político do interior, gosta de estar em contato com a população e toda semana reserva um dia para atender o público em seu gabinete. "Embora a gente receba todo tipo de pedidos, muitos vêm aqui só para me cumprimentar", conta ele.Casado, pai de um rapaz de 19 anos, o prefeito se queixa do pouco tempo que sobrou para a família que, toda as noites, se reunia à frente da TV. Ele entra na prefeitura às 7 da manhã e só consegue sair por volta das 21 horas, mas quase sempre o expediente continua em casa. O motivo: "Todos sabem onde o prefeito mora."Com perfil de executivo, custa a acostumar com a burocracia da máquina pública. "Fico ansioso para resolver as coisas, mas tudo tem um trâmite." Embora tucano, tem boa relação com políticos de outros partidos. Recentemente, esteve com o prefeito de São Paulo, o democrata Gilberto Kassab, e o presidente da Câmara, Michel Temer, do PMDB.

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