André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

‘Gestões interinas’ de Maia já incomodam o Planalto

Aliados de Temer comentam que, durante as viagens do presidente ao exterior, o chefe da Câmara estaria ‘colocando as manguinhas de fora’

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2016 | 17h00

BRASÍLIA - A quarta passagem do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), pelo Planalto como presidente da República em exercício evidenciou divergências entre o comando do parlamentar e o do Executivo. Pelo menos dois episódios da última “gestão Maia”, durante a viagem de Michel Temer à Ásia, incomodaram aliados do presidente, que chegaram a comentar que o deputado estaria “colocando as manguinhas de fora”.

O principal deles foi a sanção “meteórica” do projeto que liberou crédito para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), no dia 18, mesmo dia em que passou pelo Congresso. Segundo fontes do Planalto, Temer queria capitanear a aprovação, que considerava uma bandeira positiva do governo. Em julho, o presidente chegou a gravar mensagem nas redes sociais anunciando a criação de mais 75 mil vagas para bolsas do Fies. 

O ministro da Educação, Mendonça Filho, que é do mesmo partido de Maia, confirmou que trabalhou para que o processo fosse sancionado rapidamente e disse ter conversado com o próprio Temer sobre a necessidade de dar validade ao projeto o quanto antes. “Tenho certeza de que o que o presidente queria que acontecesse era que o Fies voltasse a ter recursos. E isso é um mérito do governo dele”, disse Mendonça.

Aliados de Temer, entretanto, salientaram que o presidente não gostou de saber que o seu substituto sancionou a matéria. Apesar do desgaste, o presidente evitou criar arestas com Maia porque sabe que precisa dele para a aprovação de projetos de interesse do governo na Câmara.

Nesse esforço de manter uma relação estreita, os dois, inclusive, se reuniram na sexta-feira no Palácio do Jaburu, residência oficial de Temer, quando acertaram a participação do presidente no jantar que será promovido por Maia na segunda-feira para afagar a base aliada e tentar garantir placar em torno de 400 votos no segundo turno da votação da PEC do teto dos gastos, ampliando a margem obtida anteriormente, que foi de 366 votos.

Repatriação. Outro episódio que evidenciou as divergências entre Legislativo e Executivo foi em torno da Lei de Repatriação. Na quarta-feira pela manhã, Maia recebeu deputados em sua residência e acertou a retomada da pauta. Pouco tempo depois, porém, ele foi repreendido pelo ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, e teve que recuar mais uma vez em pautar a matéria. 

Maia admitiu que o projeto foi “enterrado” por falta de acordo entre governo federal, Estados e a oposição sobre o texto. “É do processo (político)”, conformou-se. Segundo fontes do Planalto, a tentativa de Maia de colocar a votação do texto junto com o segundo turno da PEC do teto desagradou o governo, que temia uma possível contaminação na matéria que limita os gastos, tida como prioritária para Temer.

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