Gerente de fazenda confessa morte de índia em Mato Grosso

Provável motivação dos disparos foi o uso, pelos índios parecis, de uma barragem para pescar perto da fazenda

Agência Brasil

15 de janeiro de 2009 | 14h29

Está preso desde terça-feira o autor dos disparos que matou a indígena Valmireide Zoromará, da etnia Pareci, no município de Diamantino (MT). O gerente da Fazenda Boa Sorte, onde ocorreu o crime na última sexta-feira, confessou ser o autor dos tiros, segundo informações do delegado da Polícia Civil Daniel Lemos, responsável pelo caso. De acordo com a investigação da polícia, a provável motivação dos disparos foi o uso, pelos índios parecis, que vivem a alguns quilômetros da fazenda, de uma barragem para pescar. Os indígenas alegam que a represa não é de propriedade da Fazenda Boa Sorte.  "Em princípio, a motivação desse homicídio seria o fato de os índios estarem já há algum tempo entrando na represa, local onde o proprietário da fazenda tem uma criação de peixes. Eles estavam entrando nessa represa para pescar", explica. Na sexta-feira à noite, por volta das 22h30, cerca de 15 indígenas estavam na represa, quando o gerente da propriedade foi até o local. Ele alegou no depoimento que os índios começaram a atirar primeiro, e que por isso revidou com dois disparos de espingarda. Os tiros acertaram a índia, que morreu no local, e o seu marido, não-índio, que está hospitalizado. "Ele (o gerente) alega legítima defesa, dizendo que ao chegar no local, avistou vultos e logo em seguida recebeu disparos" De acordo com o delegado, o crime provavelmente não foi motivado por disputa de terras. Ele conta que o local foi palco de disputas até o início da década de 1990, mas desde então não há notícias de conflitos ou ameaças entre indígenas. "Já teve uma briga, segundo um representante da Funai, junto com o fazendeiro proprietário da área, em virtude dessas terras, mas há muito tempo, de lá para cá a gente não tinha mais notícias de ameaças, eles viviam cada um na sua, não estavam brigando por essa terra", disse Lemos.

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