Geraldo Naves pede afastamento da CPI da Corrupção do DF

Segundo o presidente da Câmara, Wilson Lima, o deputado decidiu se afastar após seu nome ter sido envolvido

Carol Pires, da Agência Estado,

05 de fevereiro de 2010 | 18h01

O presidente da Câmara Legislativa do Distrito Federal, Wilson Lima (PR), confirmou nesta sexta-feira, 5, em entrevista à Agência Estado, que o deputado Geraldo Naves (DEM) pediu à Mesa Diretora da Casa para ser afastado da CPI da Corrupção e da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A CPI investiga o esquema de corrupção no governo local, conhecido como "Mensalão do DEM", e a CCJ é responsável pela análise dos três pedidos de impeachment do governador José Roberto Arruda, que é apontado, em inquérito policial, como chefe do esquema.

 

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Geraldo Naves admitiu a um grupo de repórteres, ter entregado ao jornalista Edmilson Edson dos Santos, conhecido como Edson Sombra, um bilhete do governador José Roberto Arruda, no qual estava escrito: "gosto dele"; "sei que tentou evitar"; "quero ajuda"; "sou grato"; "GDF ok" e "Geraldo está valendo".

 

Na última quinta-feira, 4, este bilhete foi entregue por Edson Sombra à Polícia Federal. Segundo o jornalista, a mensagem era uma prova de que o governado estava tentando suborná-lo. Sombra foi quem encorajou Durval Barbosa, ex-secretário de Relações Institucionais do governo do DF, a revelar como funcionava o esquema de corrupção no governo local.

 

Apesar de admitir que entregou o bilhete do governador ao jornalista, o deputado Geraldo Naves negou que o conteúdo da mensagem tratasse de suborno. "O item que diz 'Quero Ajuda' foi uma forma carinhosa de falar com os amigos e com outras pessoas que pudessem ajudar nesse momento difícil que está passando pela crise. Foi um bilhete tão normal, ingênuo, não tem nada a ver uma coisa com outra", disse o deputado.

 

Segundo o presidente da Câmara, Wilson Lima, o deputado Geraldo Naves, que havia sido eleito, esta semana, presidente da CCJ, decidiu se afastar das investigações após seu nome ter sido envolvido no escândalo. "A Mesa acatou o pedido. O afastamento dele dará mais transparência às investigações", disse.

 

Ainda na última quinta-feira, 4, a PF prendeu o servidor público Antônio Bento da Silva, conselheiro do Metrô do Distrito Federal, após este entregar R$ 200 mil a Edson Sombra. Em depoimento, Bento informou à polícia que o dinheiro lhe teria sido passado por Rodrigo Arantes, sobrinho e secretário particular de Arruda. Foi durante o depoimento de Edson Sombra à PF, logo após a prisão de Bento, que o bilhete de Arruda foi entregue.

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