Geólogos delimitam área de 30m² na selva

Local fica na Base de Treinamento Cabo Roza, distante 10 km de Marabá

Leonencio Nossa, MARABÁ, O Estadao de S.Paulo

10 de julho de 2009 | 00h00

Geólogos que participam da expedição de busca de ossadas de integrantes da Guerrilha do Araguaia delimitaram ontem uma área de selva de 30 metros quadrados na Base de Treinamento Cabo Rosa, a dez quilômetros de Marabá, para futuras escavações. Relatórios do Ministério da Defesa usados pela equipe indicam a possibilidade de o local ter sido usado como cemitério clandestino. A primeira análise feita pelos especialistas indica que o solo do local, acessível por caminhada, foi removido há poucos anos. Militares que atuam em Marabá relataram que uma equipe formada por representantes da Secretaria de Direitos Humanos, com apoio da Marinha e da Polícia Federal, fez escavações na área em 2004. À época, o governo não divulgou esse trabalho de busca na base, que teria sido realizado em agosto daquele ano. Só três anos depois, a Secretaria de Direitos Humanos fez referências à operação no anúncio do relatório final de uma comissão interministerial criada para localizar ossadas de guerrilheiros. A única escavação no Araguaia divulgada pelo governo Lula ocorreu no cemitério de Xambioá, em março de 2004. As duas expedições fracassaram. Até hoje se desconhece o conteúdo do relatório da expedição de agosto de 2004. Especialistas que integram o grupo relataram ao Estado que ocorreu uma série de erros técnicos em expedições anteriores. O general Mario Lucio Alves de Araujo, da 23ª Brigada de Infantaria de Selva de Marabá, disse que o Exército mantém o esforço de colaborar na logística do grupo de especialistas montado pelo Ministério da Defesa. Alvo de críticas de setores da área de direitos humanos, a expedição atual conta com geólogos da Universidade de Brasília, antropólogos do Instituto Médico Legal e do Museu Emílio Goeldi e representantes da esquerda. Aldo Arantes, ex-deputado e preso político durante o regime militar, é um deles. O outro é Paulo Fonteles Filho, representante do governo do Pará e filho do sindicalista Paulo Fonteles - primeiro historiador da Guerrilha do Araguaia. Os geólogos Welitom Rodrigues Borges e Gustavo Mello, ligados ao Instituto de Geociências da UnB, disseram que vão usar um radar de penetração de solo para rastrear a área visitada ontem. Eles estimam que o trabalho levará pelo menos três dias. O aparelho consegue captar mudanças no solo em até 20 metros de profundidade. Hoje, a expedição irá à extinta Base Militar da Bacaba, no km 68 da Transamazônica. Lá funcionou um dos centros de execução e tortura de guerrilheiros e camponeses. Depois de vistoriar até o final do mês os locais indicados pelos relatórios do Ministério da Defesa, a equipe retorna provavelmente na segunda quinzena de agosto para fazer escavações em algumas áreas indicadas.

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