Genro quer manter recursos do Ministério da Justiça

Ministérios que podem ser afetados pelo corte de R$ 20 bilhões em investimentos, como forma de compensar o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), começaram a reagir à decisão da equipe econômica. O ministro da Justiça, Tarso Genro, por exemplo, teve hoje uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e defendeu a manutenção das verbas de investimentos para a pasta. Depois do encontro, Genro disse que o governo deve investir neste ano o dobro do que foi aplicado em segurança em 2007, com previsão de investimentos de R$ 750 milhões no setor, contra os R$ 450 milhões de 2007.Pela decisão da equipe econômica, somente os ministérios que têm obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - Integração Nacional, Transportes, Cidades e Saúde - não terão cortes. Para o da Justiça, está previsto o uso da tesoura em cerca de R$ 900 milhões. Mas, ao visitar Lula para defender os investimentos em segurança, ele mostrou que resistirá. "Continuo absolutamente confiante que não terei corte de recursos", disse, logo depois de deixar o gabinete do presidente. Genro levou a Lula números do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) e afirmou que as primeiras 600 residências destinadas a policiais serão entregues nos primeiros meses deste ano - 400 no Rio Grande do Sul e 200 nas cidades goianas próximas de Brasília. Os cortes no Ministério da Defesa devem ficar em torno de R$ 3,2 bilhões, conforme os cálculos da equipe econômica. Mas hoje, a assessoria do ministro Nelson Jobim informou que ele deverá, como fez o ministro da Justiça hoje, ter um encontro com o presidente, a chefe da Casa Civil, ministros Dilma Rousseff, e o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, para defender a integralidade das verbas. Só para a Aeronáutica, por exemplo, estão previstos investimentos de R$ 3,64 bilhões; o Exército, R$ 2,6 bilhões, e a Marinha, R$ 2,1 bilhões. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) disse hoje que o acordo feito pelo PDT com a administração federal, durante a votação da CPMF, segundo o qual, neste ano, R$ 1,5 bilhão da Desvinculação de Recursos da União (DRU) destinado à educação não poderá ser usado para outro fim, salvará o sistema educacional brasileiro. No Ministério da Educação, os cortes poderão chegar a cerca de R$ 1,8 bilhão. "Espero que o governo cumpra o acordo e libere os R$ 1,5 bilhão para a educação. Se não fizer isso, as crianças ficarão de fora da escola e o governo terá cinco inimigos, os cinco senadores do PDT", disse. "Há dias, o ministro Carlos Lupi (Trabalho) procurou o ministro Guido Mantega (Fazenda) e obteve dele a garantia de que o governo não vai sacrificar a educação", afirmou.O Ministério do Desenvolvimento Agrário poderá ser um dos mais afetados, com diminuições de R$ 700 milhões. A assessoria do ministro Guilherme Cassel informou hoje que ele lutará para evitar os cortes e que, por enquanto, nada a respeito do assunto foi comunicado a ele por parte da equipe econômica.

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