'Genro é típico sul-americano da esquerda radical', diz Itália

'É uma lástima que não se lembre que Battisti atuava de modo criminoso', disse ministro de Exteriores italiano

Efe,

01 de fevereiro de 2009 | 08h21

Em entrevista publicada neste domingo, 31, pelo Il Giornale, jornal que pertence à família do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, o ministro de Exteriores italiano, Franco Frattini classifica o ministro da Justiça Tarso Genro, que concedeu o asilo político ao ex-terrorista Cesare Battisti como um exemplo de político sul-americano ligado à esquerda radical.   Veja também: Celso Amorim diz esperar visita de Silvio Berlusconi ao Brasil Berlusconi ameniza tom, mas vai insistir em extradição Em meio a caso Battisti, Itália quer cancelar amistoso com Brasil  TV Estadão: Ideologia não influenciou concessão de refúgio, diz Tarso   Documento: Processo do Ministério Público que defere extradição de Battisti     Leia tudo o que já foi publicado sobre o caso e entenda o processo   Entenda a polêmica do caso Battisti     Genro é "o típico político sul-americano ligado às áreas mais radicais da esquerda, que vê em Battisti não um terrorista ou um assassino, mas um guerrilheiro da 'liberdade'", afirma Frattini na entrevista.   "É uma lástima que (Genro) faça tanto para não lembrar que Battisti atuava de modo criminoso em um país democrático", acrescenta.   Em 13 de janeiro, o Governo brasileiro anunciou a decisão de não conceder a extradição de Battisti, à Itália, onde ele foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios.Ele aguarda em uma penitenciária de Brasília até ser posto em liberdade.Esta decisão levou ao Governo italiano a chamar para consultas seu embaixador no Brasil, Michele Valensise, à espera de que o Supremo Tribunal Federal (STF) se pronuncie sobre o status de refugiado político de Battisti, ex-membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), braço das Brigadas Vermelhas.Frattini afirma que, apesar de ter chamado a consultas a seu embaixador, a Itália sempre tentou manter as boas relações "históricas, políticas e econômicas" com o Brasil."Mas também não pretendemos fingir que não há nada diante do que consideramos um grave erro cometido por 'uma parte' do Governo brasileiro", diz o ministro italiano, em referência a Tarso Genro."Assim, por um lado queremos seguir sendo amigos, até porque em 2009 temos a responsabilidade de liderar o G8 (...) Por outro lado pretendemos usar todos os meios que nos possa levar à extradição de um criminoso, um assassino", acrescenta.Frattini insiste no pedido de apoio que o ministro de Políticas Européias da Itália, Andrea Ronchi, fez à União Europeia (UE) em carta publicada na quinta-feira no jornal italiano "Corriere della Sera"."Em sentido estritamente jurídico, se pode dizer correta a tese (do presidente) da Comissão (Européia, José Manuel Durão) Barroso sobre sua não-competência em intervir diante do pedido de Ronchi", afirma Frattini."Mas, justo quando a União define os termos de um status de foragido válidos para os 27 (Estados-membros), pode se negar a definir uma postura sobre os assuntos que afetam os europeus frente a outros países?", se pergunta o ministro italiano.Segundo ele, Bruxelas perdeu uma ocasião importante para se posicionar a respeito, já que isto mesmo pode acontecer com outros países, "como a Alemanha", no futuro.Na sexta-feira, Battisti reiterou sua alegação de inocência em carta e acusou quatro ex-comparsas do PAC, Giuseppe Memeo, Sante Fatone, Sebastiano Masala e Gabriele Grimaldi, pela autoria dos assassinatos que o deram prisão perpétua no julgamento na Itália.Em declarações hoje à imprensa italiana, Memeo e Masala dizem que eles já pagaram pelo que fizeram e que não tem nenhum sentido que Battisti volte a citar seus nomes agora.

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