Genro comenta denúncia da 'Veja' durante campanha municipal

'Não acredito que tenha havido escuta no Palácio do Planalto', disse o ministro da Justiça no Rio de Janeiro

Márcia Vieira e Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

10 de agosto de 2008 | 15h43

Era para ser uma caminhada de apoio ao deputado estadual Alessandro Molon, candidato à prefeitura do Rio pelo PT, pela bela orla de Ipanema e Leblon, na zona sul da cidade. Mas a chuva atrapalhou os planos do ministro da Justiça, Tarso Genro, obrigado a ficar sob um toldo na Avenida Vieira Souto, conversando com Molon e outros petistas. Tarso voltou a comentar a denúncia da revista Veja de que houve escuta clandestina contra o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e até mesmo dentro do Palácio do Planalto, contra o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho. "Não acredito que tenha havido escuta no Palácio do Planalto. Mas a Polícia Federal está à disposição para investigar se for o caso." Na véspera, em Niterói, ele já havia dito que, se houve escuta, ela não foi feita pela PF.  Veja também:'Veja' publica documento que indica grampo no STFGenro participa de campanha de candidato do PT no RJ Mas o ministro não descartou, no sábado, a possibilidade de policiais federais terem feito de forma ilegal e à revelia do comando da corporacão, a suposta escuta contra o presidente do STF. "Não foi feita pela instituição", declarou. "Se foi feita, foi por alguém totalmente à margem da estrutura de poder da Polícia Federal. Se houve, é uma escuta marginal." Tarso considerou o episódio "absolutamente inaceitável". "Escuta ilegal clandestina é um crime. "E feita contra o Supremo, se é que existe, não é só um crime, como uma vergonha." Ele lembrou que, se na escuta contra Mendes foi usado o Guardião, instrumento oficial da Polícia Federal para monitoramentos telefônicos, será fácil detectar a autoria do crime. O sistema exige que o usuário forneça digitais e registre a qual investigação corresponde o grampo e quem o determinou.  O ministro também afirmou que é preciso avaliar o que delegado Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha contra supostos crimes cometidos por dirigentes do Grupo Opportunity, quis dizer ao afirmar na CPI dos Grampos que recebeu ajuda informal da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nas investigações do caso. Tarso lembrou que PF e Abin seguem regras formais. "Teria que ver o que o delegado quis dizer com informais, se foi um contato de pessoa para pessoa, sem passar pelos superiores. Tem que ser avaliado se foi uma coisa legal ou se precisa ser aberta sindicância", afirmou. Campanha Ontem, Tarso garantiu que o candidato do presidente Lula à prefeitura é o petista Molon, apesar de considerar Marcelo Crivella (PRB), Jandira Feghali (PC do B) e Eduardo Paes (PMDB) aliados. "Precisamos entender as questões do Lula no Rio. Ele respeita seus aliados, mas se o presidente votasse na cidade, votaria no Molon", garantiu, ao lado do candidato, o ministro, que apóia o deputado desde que era apenas pré-candidato. Tarso admitiu, porém, que Lula ainda não decidiu se vai aparecer no programa de TV de Molon para confirmar esse apoio. Além de Tarso, outros petistas ilustres, como os senadores Eduardo Suplicy (SP) e Marina Silva (AC), já gravaram para o programa do petista. "O carioca sabe que Lula é PT, e o PT é Lula. Quem apostar nesta separação vai se dar mal", provocou Molon, sem citar os nomes dos seus adversários que integram a base aliada. Tarso elogiou Molon. "Ele é a maior novidade desta eleição. É a chance de a cidade do Rio voltar a participar das questões políticas nacionais. Hoje, São Paulo e Belo Horizonte têm esse status. A prefeitura do Rio se isolou, não se comunica com as questões nacionais. Parece uma cidade acossada", disse. Tarso defende a força do tripé Rio, São Paulo, Belo Horizonte, numa espécie de releitura da política café com leite que marcou o revezamento do poder nacional executada na República Velha por paulistas e mineiros. "Seria um café com leite pós-moderno". Tarso passou ontem mais um dia no Rio, com direito até a almoço no restaurante Nova Capela, famoso pelo seu cabrito com arroz de brócolis, na Lapa, região boêmia da capital. Hoje ele continua na cidade. Às 10h30m, reúne-se com o presidente do TSE, ministro Ayres Brito, o presidente do TRE-RJ, Roberto Wider, e o secretário de Segurança Pública do Rio, José Mariano Beltrame, para discutir a segurança nas eleições do Rio diante das acusações de que alguns candidatos não conseguem entrar em favelas dominadas pelo tráfico de drogas ou por milícias (quadrilhas de policiais). Ele disse que o governo vai encaminhar ao Congresso um projeto de lei sobre os bandos de milicianos que controlam algumas favelas. "Vamos deixar de forma mais clara a caracterização penal das milícias nestas novas formas de atuação, como a eleitoral", explicou.

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