Genoino recebe medalha militar no Rio de Janeiro

Ex-presidente do PT, envolvido no mensalão, é o primeiro ex-guerrilheiro a receber a Medalha da Vitória; Delúbio também teve fim de semana com gostinho de volta por cima

Gabriel Manzano, de O Estado de S.Paulo,

08 de maio de 2011 | 21h42

SÃO PAULO - Seis anos depois do mensalão, que abalou suas vidas e carreiras, os petistas José Genoino e Delúbio Soares curtiram no final de semana um certo gostinho de volta por cima. Delúbio, outrora um tesoureiro expulso, que assumiu a culpa pelos "recursos não contabilizados", foi recebido em grande estilo pelo PT de Buriti Alegre (Go), numa festa de 200 pessoas, entre as quais 14 prefeitos, por seu retorno ao PT. Discursou como candidato.

 

Os amigos de Delúbio reescrevem o passado: "Foi uma injustiça grande do partido, mas o erro acabou reparado", definiu o presidente do PT local, Delmar Arantes. O mensalão "é parte da história", arrematou Darci Accorsi, ex-prefeito de Goiânia.

 

Genoino, que presidia o PT quando o escândalo de 2005 veio à tona, recebeu neste domingo, 8, no Rio, a Medalha da Vitória - a primeira dada a um ex-guerrilheiro. Em pleno 8 de Maio, que pelo mundo afora é saudado como o fim da Segunda Guerra Mundial - em que se varreu da história o autoritarismo nazista -, o assessor especial do Ministério da Defesa entrou numa lista de 284 pessoas, entre militares e civis, agraciadas por terem contribuído para a democracia e a paz.

 

"O que o Brasil deseja fazer é um grande ajuste de contas com seu futuro. O Brasil não quer retaliar seu passado", justificou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao incluir na lista o militante do PC do B dos anos 70, que então integrou a Guerrilha do Araguaia.

 

O petista não esconde a surpresa com as viradas da História: "Olha, tem acontecido tanta coisa na minha vida e na história do Brasil que a gente só tem que acreditar no Brasil e no futuro, porque muita coisa surpreendente vem acontecendo positivamente".

 

Ele não ficou sozinho nessa hora. Na lista dos outros 283 medalhados estavam quatro ministros petistas - Antonio Palocci (Casa Civil), José Eduardo Cardozo (Justiça), Luíza Barros (Igualdade Racial) e Maria do Rosário Nunes (Direitos Humanos) - mais outros dois, Fernando Bezerra (Integração), Mario Negromonte (Cidades).

 

Na contramão. O fim de semana não foi tão bom, no entanto, para o poderoso chefe da Casa Civil em 2005 (até junho), José Dirceu. Em reportagem no fim de semana, a revista Veja traz uma acusação contra o petista feita pelo empresário Fernando Cavendish. Este atribui a Dirceu a frase: "Com alguns milhões seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo". Dirceu já avisou, neste domingo, que vai acionar na Justiça as pessoas que fazem a acusação.

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