Genoino não queria inscrição de deputado cassado no currículo, diz Vargas

Vice-presidente da Câmara falou sobre a iniciativa do ex-presidente do PT e também criticou Henrique Eduardo Alves que, segundo ele, 'militou' pela cassação de Genoino

Erich Decat, Agência Estado

03 Dezembro 2013 | 15h52

Brasília - O pedido de renúncia do mandato do ex-presidente do PT José Genoino foi combinado entre os integrantes da cúpula do partido na véspera da reunião realizada nesta terça-feira pelos integrantes da Mesa Diretora que discutiu a abertura de um processo de cassação do deputado."Foi combinado desde segunda à noite. Hoje eu recebi a notícia, conversei com o deputado Genoino e ele me informou que não queria passar pelo constrangimento de uma Comissão de Ética", disse o vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR).

Vargas foi responsável por anunciar a renúncia do petista durante a reunião da Mesa antes mesmo do final da contagem dos votos. "O único pleito que Genoino queria era não ter inscrito no seu currículo deputado cassado", disse o parlamentar após a reunião. No momento do anúncio, o placar já apontava para uma maioria a favor (4 a 2) da abertura do processo contra o petista. A Mesa é composta por sete integrantes.

"Tratava-se de uma situação absolutamente de concluir os seus 25 anos aqui como um homem honrado, que não quebrou o decoro parlamentar", concluiu. O petista também não poupou críticas ao presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), e o considerou como um "militante" pela abertura do processo contra Genoino.

"Não faço julgamento de nenhum (dos demais integrantes da Mesa), só do presidente que poderia de ofício ter aguardado. Lamento muito que ele tenha essa postura. Na verdade, ele militou por essa causa", disparou Vargas, que no início da reunião pediu o adiamento do processo até que terminasse o prazo de licença médica de Genoino.

Condenado no processo do mensalão a seis anos e 11 meses de prisão em regime semiaberto, o petista apresentou licença médica em julho após ser submetido a cirurgia cardíaca. Desde então estava afastado das atividades na Câmara.

"Henrique Eduardo Alves poderia de ofício ter acolhido esse pedido de efeito suspensivo já que o parlamentar está afastado. Não tem os seus direitos políticos mais, está temporariamente invalido e não pode se defender. Ao instaurar o processo, a Mesa estaria instaurando o processo de alguém que não pode se defender mais", afirmou Vargas.

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