Genoino confirma candidatura à Câmara, diz petista

Depois de meses manifestando a interlocutores sua incerteza quanto a uma candidatura nas próximas eleições, o ex-presidente do PT, José Genoino, decidiu aceitar o convite do partido e disputar um mandato de deputado federal. Um dirigente da sigla encarregado de negociar o assunto com Genoino confirmou nesta terça-feira que ele já está inclusive montando um grupo de trabalho para iniciar em breve as atividades de sua campanha.A expectativa, segundo a fonte, é que Genoino faça uma campanha "animada, da mesma forma como fez em outras eleições". Sua estratégia ainda está em fase de elaboração, mas deverá incluir o discurso de não fugir do tema do mensalão. "Ele vai sair e fazer a campanha dentro do perfil dele, para que toda a sociedade possa ver", disse a fonte, reconhecendo, no entanto, que Genoino ainda está um pouco "arisco".Recentemente, o ex-presidente do PT admitiu que estava avaliando a possibilidade de concorrer, mas comentava com dirigentes da legenda que ainda se sentia receoso quanto ao impacto que as denúncias de corrupção poderiam ter sobre a candidatura. Na época em que o escândalo estourou, no meio do ano passado, Genoino foi afastado da presidência do PT diante da notícia de que um ex-assessor de seu irmão havia sido preso no aeroporto com R$ 209 mil em uma mala, além de US$ 100 mil escondidos na cueca.O episódio ganhou repercussão nacional somado ao fato do nome de Genoino aparecer entre os avalistas de empréstimos concedidos ao PT pelos bancos Rural e BMG, juntamente com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Desde então, Genoino manteve-se distante da imprensa e evitou aparições em público.Uma das poucas aparições do petista ocorreu no final de abril, durante o Encontro Nacional do PT. Mas também nesse caso, Genoino manteve uma postura discreta. Preferiu, por exemplo, não comparecer à abertura do encontro, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos principais nomes do partido. Ele apareceu no segundo dia e assistiu os debates em andamento por cerca de três horas, período em que permaneceu em silêncio e manteve distância dos jornalistas presentes no local.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.