Genéricos atingem 10% das doenças mais comuns

Os medicamentos genéricos comercializados no Brasil só atendem 10% das doenças mais comuns no País, disse hoje o presidente do Conselho Regional de Farmácia de Brasília, Antônio Barbosa da Silva, no Seminário sobre Genéricos, promovido pelo Instituto Brasileiro dos Usuários de Medicamentos, em São Paulo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que as declarações de Barbosa são improcedentes.Segundo Barbosa, apenas 97 fármacos estão sendo usados para a produção de 216 medicamentos genéricos, quando o ideal seriam 300, que cobririam 85% das doenças que mais afetam os brasileiros, de acordo com ele. De acordo com ele, são prioritários para lançamento de genéricos a lista dos remédios que consta na Relação Nacional de Medicamentos (Rename). ?Só que 60% dos genéricos registrados até agora estão fora dessa lista de prioridades?, apontou. ?O governo está obedecendo mais aos interesses da indústria do que os da saúde pública, está preocupado com quantidade e não com o índice de ação terapêutica na hora de colocar um novo genérico na lista?. A gerente-geral de medicamentos genéricos da Anvisa, Vera Valente, contestou as informações. ?Antes de eu assumir meu posto na Anvisa, de fato, havia genéricos para classes terapêuticas pouco importantes e muitos eram repetidos, mas montamos um grupo de pessoas renomadas para modificar isso?.Ela afirmou que o grupo elaborou uma lista de genéricos prioritários, que está em sua segunda edição, onde foram usadas informações vindas do atendimento da farmácia básica, prestado pelos médicos de família, de vendas, de experiências profissionais do grupo, da Rename e da 11ª Lista de Doenças Prioritárias da Organização Mundial de Saúde. ?Nossa relação contempla 40 classes terapêuticas, 32 delas já contam com registro e 26 já têm genéricos no mercado?, informou. De acordo com Vera, dos 50 medicamentos mais vendidos, mais da metade já têm genérico.PreçosBarbosa destacou ainda em alguns casos a diferença entre um mesmo genérico produzido por laboratórios diferentes pode ultrapassar os 90%. Entre os genéricos e os medicamentos de referência, a diferença, em média, é de 40%, segundo a Anvisa.Um dos exemplos dados por Barbosa foi o da amoxicilina 50 mg, frasco de 150 ml, que ele apontou ter uma diferença de 76,25% de preço entre o fabricado pelo laboratório Eurofarma (R$ 8,21) e o Medley (R$ 14,47).?As farmácias não estão cumprindo o que determina a lei, que é disponibilizar 75% dos genéricos aprovados pelo governo no estabelecimento?, afirmou. Segundo seus cálculos, as farmácias deveriam ter pelo menos um genérico de cada substância ativa que consta na lista do Ministério da Saúde disponível para o consumidor. ?Em algumas, só estão vendendo o genérico mais caro?, disse.Para a Anvisa, os genéricos que estão mais caros vão ser excluídos automaticamente do mercado. ?Se você tem um genérico mais caro que o outro, vai comprar o mais barato, uma vez que já se sabe que ambos têm o mesmo efeito por causa dos testes a que são submetidos?, destacou a gerente-geral de medicamentos genéricos da Anvisa.

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