ROLANDO/ ESTADÃO - 27/6/1968
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General Villas Bôas preside ato que lembra soldado vítima de atentado

Militar foi morto em ação da Vanguarda Popular Revolucionária; chefe do Exército vai defender ‘prudência nos ânimos’

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2018 | 23h43

BRASÍLIA - O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, vai presidir na manhã desta quinta-feira, em São Paulo, uma cerimônia em homenagem ao soldado Mário Kozel Filho, morto há 50 anos durante a ditadura militar na explosão de um carro-bomba. Em seu discurso, ao qual o Estado teve acesso, o general vai condenar o episódio, dirá que o País aprendeu com o “incidente” e recomendará “prudência nos ânimos”.

A cerimônia já estava programada anteriormente, mas vai ocorrer no dia seguinte à decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos de condenar o Estado brasileiro pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog, ocorrido em outubro de 1975.

A data também coincide com a véspera do aniversário de 69 anos do então soldado, morto em atentado praticado pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), em 1968, contra o quartel-general do 2.º Exército, em São Paulo. Nos meses subsequentes foram presos pelos militares dez dos acusados de participação no atentado. Um deles – Eduardo Leite, o Bacuri – foi morto depois de preso em 1970, em São Paulo. E outro, o ex-sargento Onofre Pinto, foi morto em uma ação do Centro de Informações do Exército (CIE), em Foz de Iguaçu, no Paraná.

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“Aquele incidente com o soldado Kozel, vítima inocente do terrorismo, nos obriga a exercitar o maior ativo humano – a capacidade de aprender. Agora é um momento que nos aconselha, aos brasileiros e às instituições, a prudência nos ânimos, que pede sabedoria para iluminar o futuro e, principalmente, exige a união dos esforços para construí-lo”, dirá o general em seu discurso.

Lembrando que é “um encontro de soldados”, o general completa: “É necessário que as instituições cumpram os papéis que lhes são destinados e impõe a submissão das querelas pessoais e institucionais subordinando-as aos interesses da nação de forma a colocar o Brasil acima de tudo”.

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Depois de citar que “a fratura da sociedade”, ocorrida naquela época, “é uma experiência para ser lembrada”, o general acrescenta que ela “nos deixou ensinamentos que não podem ser esquecidos ou negligenciados”.

“A morte do soldado Mário Kozel Filho foi consequência do ambiente da guerra fria que se refletia no mundo e penetrava no Brasil. Um período de entusiasmos artificializados, de intolerâncias incitadas e de paixões extremadas que faziam os brasileiros míopes para a realidade civilizada. Foi um tempo que nos dividiu, que fragmentou a sociedade e nos tornou conflitivos”, afirma Villas Boas. 

A homenagem a Kozel Filho contará com a presença da irmã do soldado, além de outros militares que foram feridos na época. O comandante Villas Bôas, mesmo com problemas de saúde, fez questão de se deslocar para São Paulo para estar no evento.

Homenagens nas redes sociais

No último dia 28, data em que há 50 anos houve o atentado, o general Villas Bôas usou sua rede social para lembrar a data e fazer uma homenagem ao soldado.

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“Há 50 anos, em um ato terrorista perpetrado contra o quartel-general do então II Exército em São Paulo, faleceu, com apenas 18 anos, o soldado Mário Kozel Filho. Nossos heróis serão sempre lembrados. Kozel, o @exercitooficial lhe presta continência! #ObrigadoSoldado!”, escreveu o general no Twitter.

No mesmo dia, o Exército brasileiro, também em sua rede social, replicou a homenagem do comandante.

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