General vai ao DF explicar crítica à reserva Raposa Serra do Sol

Augusto Heleno terá que esclarecer ao comandante do Exército por que chamou de 'caótica' a política indígena

TÂNIA MONTEIRO, Agencia Estado

18 de abril de 2008 | 10h56

O comandante militar da Amazônia, general Augusto Heleno, vai nesta sexta-feira, 18, a Brasília, onde deverá se reunir com o comandante do Exército, Enzo Peri. Heleno foi chamado à capital federal para esclarecer as críticas que fez na última quarta-feira, no seminário Brasil, Ameaças à sua Soberania, no Clube Militar. Ele definiu a política indígena brasileira como "caótica" e "lamentável" e criticou a demarcação em área contínua da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. A convocação do general foi definida na quinta-feira, 17, à noite, depois do encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro da Defesa, Nelson Jobim e Peri.   Veja também: Lula cobra general por crítica à reserva Raposa Serra do Sol Enviado especial a Roraima, Roldão Arruda fala sobre a tensão na Raposa Serra do Sol  Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol 'Roraima é do Brasil graças aos índios', diz especialista FÓRUM: A PF quer tirar os arrozeiros da reserva indígena, mas a operação foi suspensa. Dê sua opinião sobre o conflito  Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região      O Estado apurou que o ministro Jobim cancelou na quinta-feira, pela terceira vez, a viagem que faria ao Rio Grande do Sul, onde visitaria uma indústria bélica, "para fazer as últimas contas sobre aumento de soldo dos militares e conversar, muito provavelmente, com o general Heleno". Jobim repassará depois as explicações ao presidente. Nesta sexta-feira, Lula participa da comemoração do Dia do Exército, no Quartel-General do Exército, em Brasília, e receberá, no Palácio do Planalto, representantes da Comissão Nacional de Política Indigenista.   Durante o seminário, Heleno considerou uma ameaça à soberania nacional a reserva contínua de 1,7 milhão de hectares na região de fronteira e ainda disparou sobre as cerca de 600 pessoas da platéia uma frase de efeito: "Não sou da esquerda escocesa, que, atrás de um copo de uísque 12 anos, sentada na Avenida Atlântica, resolve os problemas do Brasil inteiro. Já visitei mais de 15 comunidades indígenas, estou vendo o problema do índio."   Foi como assessor da Casa Militar que o general Heleno contribuiu para o parecer dos militares contrários à demarcação da reserva ianomami. À época, o então ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, coronel da reserva do Exército, se definiu a favor da demarcação, mas cunhou no bastidor uma frase que ficou célebre: "Acho que a demarcação não representa perigo para a soberania do País, mas, se eu estiver errado, o meu Exército me corrigirá".   (com Eugênia Lopes e Luciana Nunes, de O Estado de S. Paulo)

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