General repete que sigilo de gastos preserva segurança do presidente

Dois ministros prestaram depoimento ontem na CPI dos Cartões

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

09 de abril de 2008 | 00h00

Um mês depois de instalada, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista dos Cartões Corporativos ouviu ontem o depoimento do ministro dos Esportes, Orlando Silva, uma das autoridades acusadas de irregularidades no uso de cartões de crédito do governo. Silva admitiu que foi um engano usar cartão corporativo para pagar uma tapioca de R$ 8,30. Já o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Jorge Armando Félix, reconheceu que há gastos da Presidência da República que não precisariam ser sigilosos."Não são todos os gastos que são considerados sigilosos nem todos são ostensivos. Como separar? É complicado. Por isso temos regras genéricas", argumentou o general Félix. Durante seu depoimento, que foi assistido em parte pelo seu antecessor no cargo, o general Alberto Cardoso, o ministro ressaltou que todos os gastos feitos com cartões corporativos e através de contas tipo B (em que a despesa é justificada por nota fiscal depois de o servidor receber uma verba) passam por auditoria do Tribunal de Contas da União. "Todos os gastos, sigilosos ou não, são auditados", garantiu o general. Em seu depoimento de mais de três horas, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional repetiu insistentemente que "todos os gastos que eventualmente possam acarretar redução no grau de segurança são sigilosos". Munido de transparências, o general fez uma explanação sobre decretos e leis que regem o uso dos cartões corporativos e das contas tipo B. "Ele falou, falou e não disse nada", disse o deputado Vic Pires Franco (DEM-PA), que levou para a CPI dados considerados sigilosos de gastos de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Nova York e a Zurique, no ano passado. Integrantes do PC do B lotaram a sala da CPI para ouvir o depoimento de Orlando Silva, filiado ao partido. O ministro disse ter convicção de que a Controladoria-Geral da União (CGU) vai considerar corretas as despesas que fez com seu cartão corporativo. Silva adiantou que vai pedir o ressarcimento dos cerca de R$ 34 mil que pagou do próprio bolso para cobrir despesas feitas com o cartão corporativo no ano passado. O ministro resolveu recolher essa quantia aos cofres públicos depois da descoberta de que havia usado o cartão para a compra de uma tapioca."Quis criar um fato político com o recolhimento dos R$ 34 mil para que minha versão tivesse o espaço adequado. Sei que a história da tapioca vai entrar para o folclore político nacional", observou Orlando Silva. Ao afirmar que comprou a tapioca por engano com o cartão corporativo, o ministro disse que já ocorreu o contrário: usou o seu cartão de crédito pessoal para pagar contas do governo. "Isso ocorreu umas três vezes."Os dois depoimentos foram acompanhados pela tropa de choque do governo. O líder do governo na Câmara, deputado Henrique Fontana (PT-RS), foi para a CPI defender os dois depoentes e criticar a oposição, a quem acusou de adotar "uma linha abutre". "A oposição acusa sem provas", afirmou. Em um ato falho, ele admitiu que as investigações feitas pela Polícia Federal sobre o dossiê com informações de gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso acabarão descobrindo o autor do documento. "Não sabemos quem fez aquela lista. Mas vamos descobrir quem foi", disse o petista. FRASESJorge Armando FélixMinistro do Gabinete de Segurança Institucional"Não são todos os gastos que são considerados sigilosos nem todos são ostensivos. Como separar? É complicado. Por isso temos regras genéricas"Orlando SilvaMinistro do Esporte"Sei que a história da tapioca vai entrar para o folclore político nacional"

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