General reconhece erro em avaliar ações do MST

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, general Alberto Cardoso, reconheceu que o governo acompanhava havia cerca de 20 dias a movimentação de sem-terra perto da fazenda dos filhos do presidente Fernando Henrique Cardoso, invadida no sábado. Ele assumiu a responsabilidade pelo "erro" na interpretação das informações sobre o movimento que, durante o período, lhe foram passadas pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) que, segundo o general, não falhou no caso. Cardoso afirmou que o Movimento dos Sem-Terra negociava com órgãos oficiais quando, na madrugada de sábado, promoveu a invasão da fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), sem aviso prévio aos negociadores. Ele também criticou o MST que, em sua opinião, deixou de ser um movimento social para "entrar na área do pressionamento político" e classificou de "provocação" a invasão de outra fazenda no Pontal do Paranapanema, pertencente a um sócio do presidente, Jovelino Mineiro. "A elite do Movimento dos Sem-Terra está atuando na contramão da democracia", acusou. Ele ressaltou a importância de manter a governabilidade em 2002. "O ano eleitoral é aquele em que se prepara um dos atos essenciais da democracia, a eleição", declarou. "É preciso chegar à eleição com um clima de absoluto respeito à democracia, com respeito à lei e, quando ela for desrespeitada, com a imposição da lei. Senão, teremos uma delegação de poder intoxicada por um entendimento de que democracia é bagunça, e, então, vamos votar ao Deus-dará." MinistérioO general Alberto Cardoso defendeu a divisão do Ministério da Justiça em dois, com a criação de um ministério específico para cuidar da segurança pública em nível federal. O novo órgão englobaria a Secretaria Nacional de Segurança Pública, o Departamento de Polícia Federal, o Departamento de Polícia Rodoviária Federal, o Conselho Nacional de Trânsito e o Departamento Nacional de Trânsito.Com a Justiça, ficariam atribuições e instituições ligadas à área jurídica, direitos humanos, defesa dos indígenas e do consumidor. "Atualmente, o Ministério da Justiça tem 19 órgãos, dos quais cinco cuidam da segurança pública, o que, por melhor que seja o ministro, e todos são, dificulta o foco sobre o problema", afirmou. Cardoso, que ressaltou estar dando opiniões pessoais, afirmou excluir da sua análise da questão metas como "zerar o problema" e "tolerância zero", por considerá-las utópicas. O general defendeu o que chamou de "controle razoável" da criminalidade, reduzindo-a a níveis toleráveis, por meio, principalmente, da prevenção.Cardoso falou para uma platéia de empresários, na sede da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), no 18º Fórum da Gestão Pública Eficiente, sobre o tema Segurança Pública: Prioridade Nacional.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.