General que criticou gays se retrata ao Senado

Em sabatina, Raymundo Nonato de Cerqueira Filho dissera que gays deveriam manter opção sexual em segredo

Rosa Costa , O Estado de S.Paulo

10 de fevereiro de 2010 | 22h21

O general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para uma vaga de ministro do Superior Tribunal Militar (STM), encaminhou nesta quarta-feira, 10, uma carta ao Senado se retratando de declarações que dera durante sabatina na Casa que foram consideradas homofóbicas. O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), presidente da Comissão de Relações Exteriores, destinatário da carta, disse que o general afirmou não ter tido a intenção de discriminar ou atacar a dignidade da pessoa humana.

 

Na sabatina, Cerqueira afirmou que os homossexuais só deveriam ser aceitos pelas Forças Armadas "se mantivessem a opção sexual em segredo". Segundo ele, "o indivíduo não consegue comandar" e "não seria obedecido pela tropa". "Minha posição não é necessariamente a do Exército (...) Fui bem claro em minhas afirmações, que em momento algum contrariam a Constituição. Durante todos esses anos de serviço nunca persegui, discriminei ou puni qualquer militar por ter se declarado homossexual ou mesmo praticado o homossexualismo. Minha opinião foi puramente relativa a aptidão ao perfil da atividade. Meu posicionamento não tem força de lei, pois cabe ao Ministério da Defesa, juntamente com as três Forças, estudar, e se for o caso, propor projeto de lei que permita o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas. E ao Congresso Nacional compete a aprovação", afirmou o militar. Com o recuo do general, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que pedira a reconvocação do general, voltou atrás.

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