General proíbe imprensa e fica em silêncio na Comissão da Verdade

Nilton de Albuquerque Cerqueira, que comandou a PM do Rio na época do episódio do Riocentro, só disse achar absurdo investigar fatos ocorridos há 30 anos; ex-sargento também se negou a falar

Thaise Constancio , O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2014 | 11h25

RIO - O general reformado Nilton de Albuquerque Cerqueira, de 84 anos, reuniu-se por 15 minutos com a Comissão Nacional da Verdade (CNV) na manhã desta terça-feira, 29, e informou apenas que não tinha "nada a declarar". A expectativa era que o militar falasse sobre episódio do Riocentro e também sobre a Operação Pajussara. Ele não permitiu que a imprensa acompanhasse seu depoimento.

Os integrantes da CNV fizeram dez perguntas, repassando toda sua participação política durante a ditadura militar e informando fatos que estavam em relatórios assinados pelo próprio oficial. Mesmo assim, Cerqueira se manteve calado.

O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, integrante da comissão, ainda argumentou ser "preciso rever atos históricos para reescrever a história" e que Cerqueira tinha possibilidade de apresentar sua versão.

De acordo com a advogada criminalista Rosa Maria Cardoso da Cunha, também da CNV, o general reformado praticamente só falou em duas ocasiões: na primeira, pediu que a imprensa se retirasse porque, segundo ele, a mídia "distorce os fatos", e, em outro momento, quando disse achar absurda a investigação de fatos "30 anos depois".

Cerqueira também disse que, em razão do primeiro depoimento prestado à CNV, foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF). Rosa explicou, no entanto, que a ação do MPF é anterior ao depoimento.

A Operação Pajussara foi realizada sob seu comando, quando ainda era major. A ação resultou na morte de Carlos Lamarca, no sertão da Bahia, em 1971. Em 1981, quando ocorreu o atentado do Riocentro, o general comandava a PM no Rio.

"Casa da Morte". Também com depoimento marcado para esta terça-feira, o ex-sargento paraquedista Jacy Ochsendorf e Souza chegou à sede da CNV às 10h30 acompanhado dos advogados Rodrigo Roca e Carlos Marca. Ele e o irmão Juradyr são acusados de participação em mortes no DOI-Codi do Rio (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna) e na "Casa da Morte", em Petrópolis, na região serrana do Estado. Jurandyr também é esperado para depor.

O ex-sargento também ficou somente 15 minutos diante dos integrantes da comissão. Na saída do acusado, um policial federal que faz a segurança do Arquivo Nacional impediu que a imprensa fizesse imagens do ex-sargento.

Os irmãos são acusados de envolvimento na morte do ex-deputado Rubens Paiva, preso e morto nas dependências do DOI, no prédio do Batalhão de Polícia do Exército da Tijuca (zona norte carioca), segundo o MPF e a CNV. Os irmãos Ochsendorf são apontados pelo MPF como autores dos crimes de fraude processual, associação criminosa armada e ocultação de cadáver.

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