General pede menos justiça penal e mais justiça social

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, general Alberto Cardoso, pregou "menos justiça penal e mais justiça social" para a base da pirâmide da criminalidade. No encerramento da II Conferência Executiva de Segurança Pública para a América do Sul, nesta terça-feira, o ministro disse que o sistema penitenciário funciona como uma "pós-graduação em crime".A cadeia, segundo ele, deve ser reservada a bandidos realmente perigosos. O general recomenda ao Estado investimentos em repressão ao crime organizado e em inteligência para atingir os financiadores de atividades ilícitas.Já para os autores de pequenos delitos, ele defendeu programas de combate à violência doméstica, esporte na escola e criação de áreas de lazer, além dos programas de complementação de renda como o bolsa-escola e o bolsa-alimentação, que funcionam como prevenção primária à violência.Cardoso reconheceu que essas medidas de prevenção primária contra violência não dão resultados a curto prazo, mas após oito a dez anos de aplicação. "Não é um programa para apenas um governo", disse o general, ao pedir aos candidatos ao Executivo que discutam mais a questão da segurança pública durante a campanha até por motivos educativos para a população. "A jornada é longa e não pode depender dos humores dos governantes."O presidente Fernando Henrique Cardoso, no final do governo de oito anos, conseguiu "dar o primeiro passo" no combate à violência, disse o general. Ele garantiu que o governo agiu, mas houve neste período uma explosão de violência no País.Já o chefe da Polícia Civil de Brasília, Laerte Bessa, acusou o Ministério da Justiça de engavetar propostas elaboradas pelo Conselho Nacional de Segurança Pública que deveriam ser encaminhadas ao Congresso Nacional para ajudar a reprimir o crime no País.Cardoso disse que as mudanças no ministério podem ter atrapalhado o envio dos projetos. E ressaltou ainda a importância da participação do terceiro setor, da família e da escola na prevenção à violência. O general chamou a atenção de pessoas que são vítimas potenciais do crime para se conscientizarem e evitarem exposições a situações de risco. "Não se torne uma vítima vulnerável."

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