Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

General Heleno diz que é 'natural' aproximação do Brasil com EUA e Israel na área de inteligência

Ministro do GSI afirma ainda que se mudança de embaixada para Tel-Aviv acontecer, será com 'precaução'

Julia Lindner , O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2019 | 18h43

BRASÍLIA - O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, minimizou nesta quinta-feira, 3, as possíveis ameaças árabes contra o Brasil, caso a mudança da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém se concretize. "Não vai chegar nesse ponto, não. Isso aí é um pensamento do presidente, por enquanto. Se acontecer, vai ser com precaução, mostrando para a comunidade árabe que isso não é nenhum tipo de provocação", disse Heleno em coletiva de imprensa.

Na semana passada, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que esteve no Brasil para a posse presidencial, disse que Jair Bolsonaro afirmou a ele que a transferência da embaixada brasileira era uma questão de "quando, não de se".

Para Heleno, a vinda de Netanyahu ao País é uma "sinalização" de que a mudança da embaixada poderia acontecer, mas destacou que ainda não houve "decisão de data" por parte de Bolsonaro. "O que há é uma intenção clara", afirmou. Ele ressaltou, ainda, que a diplomacia brasileira sempre foi "habilidosa e tem competência para tratar do assunto".

Heleno considera também que é "natural" o Brasil se aproximar de países como Estados Unidos e Israel porque eles possuem um "campo de desenvolvimento muito evoluído" na área de inteligência e troca de informações. 

"Isso é tendência, até pela evolução dos equipamentos, é cada vez melhorar mais. Então, a aproximação com Israel, a aproximação com os EUA, com esses países que tem esse campo de poder muito desenvolvido, é natural que aconteça. Lógico que isso tem gasto, tem custo e hoje o Brasil para gastar pensa muito porque estamos em uma situação financeira bem difícil."

A mais recente declaração de Bolsonaro sobre a transferência da embaixada do país em Israel foi em entrevista ao pastor Silas Daniel. Na entrevista, divulgada no perfil oficial do presidente eleito no Twitter no último sábado (29), Bolsonaro disse que havia ameaças de boicote econômico ao Brasil caso o governo decida fazer a transferência. Na ocasião, ele afirmou estar avaliando a "melhor maneira" de resolver a questão.

'Guru'. General Heleno também rechaçou o título de "guru do governo". "Esquece essa história de guru que o último que apareceu está em cana, o João de Deus", disse em tom de brincadeira sobre João Teixeira de Faria, o médium João de Deus, que está preso preventivamente após denúncias de abusos sexuais.

Durante a cerimônia de transmissão de cargo no dia 2, o general Augusto Heleno foi descrito pelo ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) como "nosso guru". Decisivo na campanha eleitoral, aliados consideram que ele também terá forte influência sobre questões do governo, da política à economia. 

Visita. Heleno conversou com jornalistas após visita de Bolsonaro à Secretaria de Segurança e Coordenação Presidencial do GSI, próximo ao Palácio do Planalto. O objetivo foi mostrar para o presidente que, como autoridade, ele precisa de proteção. Durante a visita, foi mostrado um simulador de tiro e depósitos, além de escritórios e armamentos. Ele também cumprimentou servidores.

Segundo o ministro do GSI, Bolsonaro não manifestou preocupação com sua segurança. "Ele é acostumado com risco, é um paraquedista, não mostrou preocupação", reagiu Heleno ao ser questionado. Ele também explicou a segurança dos familiares será de responsabilidade pelo GSI, mas os três filhos com atuação parlamentar - o deputado estadual Carlos, o deputado federal Eduardo e o senador Flávio - terão a segurança realizada pelas respectivas Casas Legislativas.

Ele disse, ainda, que acredita que Bolsonaro "vai dar trabalho" durante passagens por multidões ou viagens. "Ele tem um sentimento muito grande quando pode e quando não pode (se aproximar das pessoas). Um dia o sentimento falhou. Claro que isso sempre leva a uma postura mais cuidadosa, mas, eu acredito que, com o tempo passando, vamos ter trabalho para contê-lo. É da personalidade dele ter contato com a população."

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