General diz que não há células terroristas no Brasil

A possibilidade de que a campanha mundial contra o terrorismo, desencadeada pelos Estados Unidos depois dos atentados de 11 de setembro, bata em território brasileiro foi descartada hoje, em São Paulo, pelo general-de-divisão Alberto Mendes Cardoso, ministro da Segurança Institucional. O ministro garantiu que não existem " os menores indícios" de existência de células terroristas ou de grupos de apoio ao terrorismo na região da chamada Tríplice Fronteira (Brasil-Paraguai-Argentina)."Há 10 anos, os serviços brasileiros de inteligência investigam a região. As investigações foram acirradas a partir de abril de 96, e nenhum indício foi encontrado até agora", disse ele. De acordo com o ministro, em 96, " surgiram rumores" de que atentados ocorridos na Argentina em 92 e 94 teriam sido gestados na Tríplice Fronteira. " Mas investigações rigorosas não encontraram nada", afirmou ele.Cardoso descartou também a possibilidade de ocorrer o que ele chamou de " transbordamento da guerrilha" colombiana para território brasileiro, através das fronteiras amazônicas. Para o ministro, o governo brasileiro mantém a "posição firme" de não estabelecer uma relação imediata entre movimentos de guerrilha no continente e o terrorismo internacional. Mas admitiu que há uma "tendência mundial de estudo" desta ligação. Cardoso afirmou que as únicas ligações que podem existir com o terrorismo na Tríplice Fronteira ou em outras regiões do território brasileiro são distantes e tangenciais. "Não há como excluir a possibilidade de que remessas de dinheiro sejam feitas do Brasil para grupos terroristas", admitiu o ministro. "E também é possível que o crime organizado no Brasil negocie a venda de armas para grupos terroristas".O general esteve em São Paulo para participar da 10ª Semana Anual de Estratégia, promovida pela Associação Comercial de São Paulo e pelo Núcleo de Politicas e Estratégias da Universidade de São Paulo (USP).Leia o especial

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