General defende idéia de País ter bomba atômica

Para Moreira, País precisa de ?cadeado forte?, pois é cobiçado por ter água, alimentos e energia

Expedito Filho, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

O secretário de Política, Estratégia e Relações Internacionais do Ministério da Defesa, general de Exército José Benedito de Barros Moreira, defendeu esta semana a tese de que o Brasil deve desenvolver a tecnologia necessária para a fabricação da bomba atômica. O general fez a afirmação, com espontaneidade e franqueza, ao responder à pergunta de um telespectador do programa Expressão Nacional, da TV Câmara, transmitido na terça-feira. No mesmo programa, ele disse que o Brasil é alvo de cobiça por ter água, alimentos e energia. "Por isso, temos de colocar um cadeado forte na nossa tranca", afirmou.O general explicou sua posição sobre o desenvolvimento da bomba. "Nós temos de ter no Brasil a possibilidade futura de, se o Estado assim entender, desenvolver um artefato nuclear. Não podemos ficar alheios à realidade do mundo." Moreira deixou espantados os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e José Genoino (PT-SP) e o professor Antônio Jorge Ramalho da Rocha, da Universidade de Brasília (UnB), que também participavam do programa. Encarregado da estratégia e dimensionamento dos meios globais de defesa, o general admitiu que o País poderá descumprir o tratado de não-proliferação de armas nucleares. O descumprimento ocorreria, segundo ele, na hipótese de um país vizinho fabricar a bomba ou "no momento em que o Estado se sentir ameaçado". Confirmadas essas duas condições, o Brasil estaria autorizado a desrespeitar o tratado e a fabricar sua bomba atômica. MUNDO PERIGOSONa visão geopolítica de Moreira, o mundo estaria cada vez mais perigoso e imprevisível. "Não estou defendendo que desenvolvamos artefato nuclear. Nenhuma nação pode se sentir segura se não desenvolver tecnologia que a capacite a se defender quando necessário", ressalvou, diante dos parlamentares dispostos a amenizar a gravidade de suas afirmações. Genoino chegou a lembrar que "artefato nuclear" é diferente de submarino nuclear, também defendido por Barros Moreira. Jungmann condenou um eventual rompimento do tratado de não-proliferação de armas nucleares, mas observou que, em tese, entendia o realismo exposto pelo general. Moreira disse que o atual panorama aponta para um mundo violento e perigoso. Os sinais de eventuais conflitos entre nossos vizinhos já teriam até sido captados pelo Ministério da Defesa. "Estamos colhendo na nossa área sul-americana pontos de tensão que podem se desenvolver e devem ser observados e acompanhados", disse o general, sem contudo mencionar os focos de tensão. Para ele, as mudanças no plano global levaram o governo brasileiro a tratar como prioritário o reequipamento das Forças Armadas. Moreira avaliou que, com a evolução econômica dos últimos anos, o Brasil se tornou alvo, já que é um país rico em água, minérios, alimentos e agora petróleo. "Esse alvo é nossa riqueza. O mundo carece de água, energia, alimentos e minérios. O Brasil é rico em tudo isso. Por isso tudo nós temos de colocar um cadeado forte na nossa tranca." O governo petista já teria percebido, na avaliação do general, as vulnerabilidades das Forças Armadas. Essa percepção teria sido imposta pelo ministro Nelson Jobim ao assumir a pasta da Defesa. "Hoje, o próprio presidente da República percebe a necessidade de que as Forças Armadas sejam capazes de defender o País, já que não temos intenção expansionista. A chegada do ministro Nelson Jobim trouxe a sua percepção política. Já tardava a retomada do desenvolvimento militar", afirmou.Durante o debate na TV Câmara, Genoino disse que "a Venezuela não pode ser tratada como objetivo ou alvo militar estratégico" do Brasil. "Isso é ridículo", criticou. E concluiu, ao avaliar o reaparelhamento das tropas do Exército, da Marinha e da Aeronáutica: "Forças Armadas é como seguro, é bom ter para não usar."FRASESJosé Benedito MoreiraGeneral de Exército"Nenhuma nação pode se sentir segura se não desenvolver tecnologia que a capacite a se defender quando necessário""Estamos colhendo na nossa área sul-americana pontos de tensão que podem se desenvolver e devem ser observados e acompanhados""Já tardava a retomada do desenvolvimento militar"

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