Gedimar Passos reclama de maus-tratos na PF de Cuiabá

Em depoimento na CPI dos Sanguessugas nesta terça-feira, o advogado e ex-policial federal Gedimar Passos afirmou que, durante o período em que esteve preso em Cuiabá, ficou 13 horas "em uma cela de castigo, com água até a canela". Em 15 de setembro, ele e Valdebran Padilha - petista de Mato Grosso - foram presos em um hotel em São Paulo com parte dos R$ 1,75 milhão que seria usado na compra do dossiê, elaborado para prejudicar a candidatura de José Serra ao governo de São Paulo.Depois dessa declaração, Gedimar passou a detalhar sua prisão e disse que não foi preso pela Polícia Federal, mas por um policial civil que colaborava com os federais - que chamou de "ganso" ou informante na linguagem policial. Esse policial faria segurança do Hotel Íbis, onde estava hospedado em São Paulo, e invadiu seu quarto com uma pistola calibre 40 e identificação de policial civil. Somente após alguns minutos, explicou Gedimar, chegou a equipe com cinco a seis agentes da PF.Sobre as denúncias de maus-tratos, o deputado Fernando Gabeira (PV) disse ser preciso ouvir a Polícia Federal antes de corroborar essa versão. No entanto, salientou achar muito estranho um ex-policial federal não ter denunciado o fato imediatamente após o ocorrido. "Ele tinha obrigação de denunciar isso. A instituição dele estava em jogo", avaliou o deputado.GrampoDurante o período em que ficou detido na PF, Gedimar Passos teria conversado com policiais federais sobre como a investigação havia sido feita e um deles teria dito que era grampo. "Eu respondi que eles tinham feito a maior besteira, porque tinham grampeado a campanha do Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, então candidato à reeleição)", comentou. Gedimar ainda disse que, no momento da prisão, os policiais federais ligaram para a Rede Globo para falar que haveria um "flagrante bom".Por enquanto, o que se sabe é que o chamado dossiê continha um CD, fotos e alguns documentos envolvendo os dois tucanos na máfia das ambulâncias - esquema liderado pela Planam, que vendia ambulâncias superfaturadas a prefeituras de todo o Brasil. As irregularidades deste caso foram descobertas meses antes pela PF e chegaram a movimentar R$ 110 milhões.Origem do dinheiroNo final de outubro, a agência de câmbio Vicatur, de Foz do Iguaçu, na Baixada Fluminense, montou um "laranjal" com pessoas de famílias humildes que emprestavam seus CPFs para operações ilegais. Algumas tiveram seus nomes incluídos sem sequer saberem. Os donos da empresa, Fernando Ribas e Sirlei Chaves, foram indiciados por fraude cambial e uso de documento falso.Em relação à Vicatur, a PF desconfia que possa haver duas famílias envolvidas como laranjas no esquema. Uma delas, já mapeadas, comprou o equivalente a US$ 280 mil na Vicatur. O montante adquirido pela outra família ainda está sendo levantado, mas pode ter sido superior a US$ 100 mil. A PF não sabe ainda para onde foi a parte que excedeu os US$ 248,8 mil que seriam usados para pagar o dossiê.Com Agência Câmara

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