Gedimar não revela quem orientou a compra de dossiê

O advogado e ex-policial federal Gedimar Passos se negou a revelar à CPI das Sanguessugas, em depoimento nesta terça-feira, quem o orientou a receber o dinheiro no hotel Ibis, em São Paulo, para a compra de dossiê contra candidatos do PSDB. Gedimar admitiu que foi orientado por alguém a se hospedar no hotel Ibis, em frente ao aeroporto de Congonhas, e receber duas sacolas de "um tal de André". Questionado pelo deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) sobre quem teria dado essas orientações, Gedimar respondeu: "Eu já estou com a corda no pescoço e não posso agora puxar a corda."Em 15 de setembro, ele e Valdebran Padilha - petista de Mato Grosso - foram presos em um hotel em São Paulo com parte dos R$ 1,75 milhão que seria usado na compra do dossiê.Diante da negativa, Gabeira disse estar seguro de que todo o esquema foi "uma operação de inteligência", que deveria ter sido abortada no momento em que desse errado. Assim, concluiu, toda a culpa recairia sobre quem fosse preso - no caso, Gedimar Passos e o ex-coordenador de Comunicação da campanha do senador Aloizio Mercadante (PT) ao governo paulista Hamilton Lacerda.Gabeira disse considerar "bastante inverossímil" o depoimento. Segundo o deputado, o ponto de maior descrédito é o fato de Gedimar ter aceito as sacolas no hotel Ibis, em São Paulo, sem saber que continham o dinheiro para o pagamento do dossiê contra candidatos do PSDB. "Ele era professor de delegado, não podia ser tão distraído", acusou, em relação aos cursos que Gedimar prestava a delegados da Polícia Federal.O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), vice-presidente da CPI, afirmou que o depoimento de Gedimar demonstra que ele está ameaçado. "Ele faz parte de uma quadrilha mafiosa, que tentou fraudar a vontade popular com a compra de um dossiê falso", comentou. "Quando alguém diz que está com ´a corda no pescoço´ demonstra claramente que está com medo. Mas medo de quê? De perder a vida, de que aconteça algo com seus familiares?", questionou. No depoimento, Gedimar disse que foi contratado pela Executiva Nacional do PT, que ganhava R$ 8.880,00 líquidos por mês e que sua família não sabia que trabalhava na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Garantiu ainda que não participou de acareação com Freud Godoy, ex-segurança do presidente Lula. Em seu primeiro depoimento à Polícia Federal, Gedimar disse que Freud era uma das pessoas que estava comandando a operação de compra do dossiê contra tucanos.

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