Geddel nega acusação de desvio de recursos

O líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA) atribuiu a seus inimigos políticos no Estado a acusação de que teria obtido lucros financeiros acima da médias praticadas pelo mercado no período em que diretor da corretora do Baneb - antigo banco da Bahia -, em 1983. Geddel e seus familiares são acusados de desviar mais de R$1 milhão da corretora, graças a rendimentos privilegiados de suas aplicações, comparadas à de outros investidores. "Eu fui inocentado em um relatório do Banco Central, que não encontrou razões para me punir, e decidiu pelo arquivamento do processo". Geddel disse que só pessoas de má-fé comparam o seu caso ao do presidente licenciado do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), que também foi inocentado em um relatório do BC de 1992 e, quatro anos depois, viu surgir outro, elaborado pelo auditor Abrahão Patrui Júnior, apontando sua participação nos desvios do Banpará. "Não existem dois relatórios no meu caso. Não há um Patruni Júnior na história", garantiu.O líder do PMDB disse que as taxas privilegiadas praticadas pelas aplicações do Baneb deviam-se ao frágil sistema bancário baiano da época: "Para ter condições de competir com os bancos privados, os bancos públicos tinham que emitir papéis com rentabilidades mais vantajosas". Geddel disse que, como diretor da corretora, era obrigado a aplicar os seus recursos no Baneb. "A prova de que não houve irregularidade é que foram resgatados títulos ao portador, em meu nome, sem a intermediação de laranjas". Ele cita, também, que na lista de beneficiados aparece o nome de outros clientes e diretores do Baneb.O parlamentar apresentou um relatório do Banco Central de 1987, assinado pelo diretor de fiscalização José Tupi Caldas, declarando que "se por um lado, a descrição dos fatos não tipifica comportamento cabível de punição e, por outro, a infração não consiste em falta grave ao interesse da instituição administrada, decido pelo arquivamento do processo". Geddel declarou também que, mesmo assim, o diretor remeteu o caso à Procuradoria da Fazenda Nacional, que ratificou a decisão. "O Tribunal de Contas da Bahia, em 1995, também aprovou as contas do Baneb em 1983, período em que eu era diretor?.Mesmo assim, Geddel foi punido por ações administrativas impróprias, que, segundo ele, não têm nada a ver com os supostos ganhos financeiros. "São relativos ao não-cumprimento de prazos de aplicações, não tendo nenhuma ligação com práticas dolosas", justifica. O líder do PMDB lembra que, depois da decisão do Banco Central de arquivar o processo, não houve nenhuma outra ação na Justiça, nem questionamentos do Ministério Público acerca do caso. "Além do mais, eram recursos privados pessoais, e não públicos, o que elimina a possibilidade de comparação com o caso do Banpará".

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