Geddel assume ministério em governo que já criticou

Escolhido ministro da Integração Nacional, o político baiano Geddel Vieira Lima, do PMDB, é a prova viva de que a política dá voltas. De inimigo feroz do governo de Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao primeiro escalão do governo, indicado pela ala do PMDB da Câmara, que aderiu a Lula neste segundo mandato presidencial. Esse pecuarista e plantador de cacau de 48 anos está no Congresso desde 1991 e serviu a governos antagônicos. Articulador do governo Fernando Henrique Cardoso e amigo do ex-presidente, Geddel foi adversário da adesão do PMDB a Lula, no primeiro mandato, e quando os senadores José Sarney e Renan Calheiros se uniram ao presidente, classificou a negociação de fisiológica. Em almoço de Lula com o PMDB, em 2003, fez um discurso crítico à aproximação do partido com o presidente, recebendo até um telefonema de congratulações de Fernando Henrique. Na ocasião, Lula o comparou a Babá, ex-deputado petista, que acabou expulso do partido junto com Heloísa Helena e outros parlamentares que criticaram a política do partido. Geddel apoiou a candidatura tucana de José Serra (PSDB) contra Lula, em 2002, mas questões da política baiana o aproximaram da ala peemedebista que apóia Lula. Adversário de Antonio Carlos Magalhães, acabou junto ao PT na última eleição para o governo da Bahia, o que o levou a trocar o PMDB oposicionista pelo governista. Geddel esteve envolvido nas investigações da CPI do Orçamento, quando o seu nome apareceu na lista de uma empreiteira ao lado do percentual de 4%. Mas nada foi provado. Teve um conflito violento com o senador Antonio Carlos Magalhães, que fez circular pelo Congresso um vídeo chamado "Geddel vais às compras", no qual acusava o deputado de enriquecimento ilícito.Ele obteve da Receita Federal o atestado da regularidade de seu patrimônio e rebateu os ataques lembrando que ACM teve que renunciar ao Senado para não ter o mandato cassado pela violação do painel de votação na cassação do ex-senador Luiz Estevão. O deputado baiano é capaz de pronunciamentos controversos, como o de considerar natural um ministro beneficiar o seu Estado de origem. Em 1999, quando o deputado petista Geraldo Magela (DF) acusou o então secretário de Política Urbana, Ovídio de Angelis, de ter beneficiado o Estado de Goiás na distribuição de recursos da extinta secretaria de Política Regional, Geddel saiu em sua defesa e classificou as acusações de "hipócritas e ridículas".

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