Geddel articulou eleição de Tebet

Foi o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), e não o presidente Fernando Henrique Cardoso, o principal articulador da eleição do senador Ramez Tebet (PMDB-MS) para a presidência do Senado. Também foi de Geddel - e não do Palácio do Planalto - o veto à candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) para substituir Jader Barbalho (PMDB-PA), que renunciara na terça-feira.Embora teoricamente não tenha nada a ver com os senadores, o deputado Geddel articulou como ninguém para pôr na presidência do Senado um político de seu grupo, ao qual também pertencem o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, e o assessor especial da Presidência da República, Moreira Franco. O grupo que atualmente manda no PMDB é o mesmo que defende a candidatura própria do PMDB para a Presidência da República, no ano que vem, mas que já negocia com o PSDB uma aliança que poderá assegurar aos peemedebistas o cargo de vice numa eventual composição com os tucanos. Com isso, tentam afastar, desde agora, a possibilidade de o PFL indicar o vice numa aliança eleitoral dos partidos que estão no governo.Enquanto os senadores do PMDB escolhiam, na quarta-feira, o nome que sucederia Jader Barbalho na presidência do Senado, no gabinete do líder do PMDB, Geddel Vieira Lima acompanhava tudo de outro gabinete, muito próximo: o do ainda líder do PSDB, senador Sérgio Machado (CE), que está de mudança para o PMDB. Encerrada a votação por volta das 23h, e apurados 12 votos para Ramez Tebet, seis para José Fogaça (RS), um para José de Alencar (MG) e um para José Sarney, logo anulado, Geddel deixou o gabinete de Sérgio Machado. Tentou sair o mais rapidamente possível, mas foi interceptado por dois jornalistas. Disse que o resultado da votação era exatamente o esperado. Afirmou ainda que Tebet seria o presidente do Senado.No dia seguinte, contados 41 votos para Tebet - o que assegurou a vitória, apesar dos 31 brancos e dos três nulos -, o corredor que passa por baixo da pista do Eixo Monumental (conhecido por "Túnel do tempo") registrou esclarecedor diálogo entre o senadores Mauro Miranda (PMDB-GO) e Fernando Bezerra (PTB-RN). Miranda disse: "Eu queria o senador José Sarney, mas o Geddel o vetou". Bezerra respondeu: "Mas o que o Geddel tem a ver com o Senado?" Miranda: "Tudo: foi ele que elegeu o Tebet". E acrescentou: "Vetou o Sarney porque ele é ligado ao senador Antonio Carlos Magalhães, o grande inimigo de Geddel na Bahia". Bezerra virou as costas e disse, indignado: "Ainda bem que eu saí desse partido".

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