Geddel acusa Sarney de agir como comparsa de ACM

Adversários do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e políticos vítimas do grampo telefônico na Bahia pressionarão o Senado a aprovar recurso no plenário pela abertura de processo de cassação de mandato de ACM por quebra de decoro parlamentar. O líder do PSDB na Câmara, Jutahy Júnior (BA), e o deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) defenderam hoje que seus partidos assinem o recurso contra a decisão da Mesa do Senado que derrubou relatório do Conselho de Ética recomendando a cassação de mandato de ACM. Se o recurso - que deverá ser apresentado pelo PT - for aprovado por maioria simples, estará aberto automaticamente o processo por quebra de decoro contra o senador baiano, acusado de envolvimento em esquema ilegal de escuta telefônica. A partir daí, o procedimento seguirá seu trâmite normal, sendo remetido ao Conselho de Ética, à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e novamente ao plenário. Vítima do grampo na Bahia, Geddel Vieira Lima disse que a decisão da Mesa é um "escárnio" e fez duras críticas ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que votou pela rejeição do relatório do Conselho de Ética. "A decisão da Mesa do Senado foi tomada na calada da noite, algo que é próprio da biografia dele (Sarney)", declarou. "Eu não acho que Sarney agiu como presidente do Senado. Ele agiu como comparsa de ACM, seu ex-ministro das Comunicações", acrescentou. Ele e mais 231 pessoas, entre eles o líder do PT na Câmara, Nelson Pellegrino (BA), tiveram seus telefones grampeados no esquema ilegal montado pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia. Ele disse que enviará carta ao presidente nacional do PMDB, Michel Temer, cobrando posicionamento favorável ao recurso. "Não é possível que meu partido continue sendo um mero ajuntamento de pessoas. É um partido autista", declarou. O líder do PSDB também agiu com indignação. Ele cobrou do líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio Neto (AM), e do presidente nacional de seu partido, José Aníbal, apoio ao recurso para a derrubada da decisão da Mesa. "Foi um corporativismo indecente. Os integrantes da Mesa que apoiaram ACM se comportaram como se fizessem parte de um clube", afirmou o tucano. "Nem os cidadãos baianos e nem os senadores acreditam que ACM não é culpado", declarou. Na reunião da Mesa do Senado, os senadores do PMDB Alberto Silva (PI) e do PSDB Eduardo Siqueira Campos (TO) votaram contra a abertura de processo por quebra de decoro. "Siqueira Campos disse que votou assim a pedido de Sarney", contou o tucano. Foram cinco senadores na Mesa do Senado que apoiaram ACM. Além de Alberto Silva, Siqueira Campos, Sarney, Romeu Tuma (PFL-SP) e Heráclito Fortes (PFL-PI) assumiram a mesma posição. Os senadores gaúchos Paulo Paim (PT) e Sérgio Zambiasi (PTB) votaram a favor da formalização do processo de cassação. Na reunião de anteontem, a Mesa decidiu apenas penalizar ACM com advertência por escrito e remeter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que apure a acusação de que o parlamentar baiano teria participado da operação ilegal.Veja o índice de notícias sobre o grampo na Bahia

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