'Gazeta do Povo' recebe prêmio de liberdade de imprensa

Jornal do PR processado por reportagens que tratam de vencimento de juízes e promotores será premiado pela ANJ

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

15 de junho de 2016 | 08h30

SÃO PAULO - Alvo de 45 ações judiciais movidas por magistrados e promotores do Paraná em diversas comarcas do Estado, a série de reportagens sobre os vencimentos recebidos por juízes e representantes do Ministério Público neste ano rendeu ao jornal Gazeta do Povo o prêmio ANJ de Liberdade de Imprensa 2016. A solenidade de entrega será realizada no dia 18 de agosto, em local ainda a ser definido.

Concedida pela Associação Nacional de Jornais, a premiação é voltada a iniciativas que tiveram relevante atuação na promoção da liberdade de expressão e de imprensa no País. “Considero esse prêmio concedido ao jornal Gazeta do Povo uma mensagem de solidariedade de todos os jornais brasileiros, representados pela ANJ, unidos pela causa comum da liberdade de imprensa”, disse o presidente da ANJ, Carlos Fernando Lindenberg Neto, do jornal capixaba A Gazeta.

Os vencedores são os repórteres Francisco Marés, Euclides Lucas Garcia e Rogério Waldrigues Galindo, o analista de sistemas Evandro Balmant e o infografista Guilherme Storck, autores das reportagens, publicadas em fevereiro pelo jornal.

Desde abril, o conteúdo do material tem sido questionado na Justiça, com ações ajuizadas em várias cidades paranaenses. Áudio divulgado reforçou a suspeita de uma ação coordenada dos magistrados. Nele, o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), Francisco Mendes Júnior, fala em um “modelo de ação individual” para que “cada um possa ingressar com essa ação individual, caso considere conveniente”. Em maio, a defesa do jornal entrou com recurso no Supremo Tribunal Federal para que o caso seja julgado em Brasília.

Desde a publicação das reportagens, os autores passaram a ter de dividir o tempo entre o trabalho e as audiências. Entre abril e maio, eles tiveram de comparecer a 17 delas em dez cidades. “Ao passar de dois a quatro dias de cada semana, desde abril, em viagem para audiências, eles estão sendo impedidos de exercer regularmente sua profissão”, disse o diretor de redação da Gazeta do Povo, Leonardo Mendes Júnior.

Na terça, 15 os profissionais foram à audiência na cidade de União da Vitória, na região sul do Estado, e não foram localizados. Hoje, o compromisso é em Medianeira, que fica próxima à fronteira com a Argentina. “Na prática, os cinco profissionais já estão condenados e cumprindo uma pena”, disse o diretor.

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