"Gato" consome até 11% da energia no RJ

A energia roubada no Rio de Janeiro com as ligações clandestinas, mais conhecidas como "gatos", equivale a mais da metade da eletricidade que precisa ser poupada no Estado. A Cerj (distribuidora que atende a 66 municípios do Estado) perde 10,8% da energia que coloca na rede, enquanto na Light (que atende à cidade do Rio e mais 30 municípios), tem perda de 11%. Nas favelas do Rio de Janeiro, boa parte da iluminação pública é improvisada pelos moradores. Enquanto que nas principais ruas e avenidas da cidade está sendo reduzida a quantidade de lâmpadas acesas, seguindo o plano de racionalização do governo, longos fios com centenas de lâmpadas incandescentes - as que mais consomem energia - iluminam caminhos nos morros. A Rioluz, empresa responsável pela iluminação pública no Rio de Janeiro, não tem nenhum programa específico para atender a estas áreas. De acordo com a assessoria de imprensa do órgão, no ano passado nenhum novo ponto de luz foi instalado nas favelas. O coordenador dos programas de planejamento energético da Coordenadoria dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ, Maurício Tolmasquin, observa que não se pode dizer que a energia roubada pelos gatos seria poupada se estas ligações fossem simplesmente cortadas. "Estes usuários precisam da energia e teriam de pagar por ela, mas o uso continuaria", explica. Por outro lado, a energia roubada não é medida e seu usuário não se preocupa com sobretaxa ou corte. "No fim, o gasto maior dos consumiores irregulares acaba prejudicando o racionamento imposto à sociedade", observa Tolmasquim. O diretor de coordenação da Cerj, Javier Arias, diz que, devido ao racionamento, a companhia vai ampliar seu quadro de pessoal reponsável pela repressão às ligações clandestinas.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.