Gastos do governo dominam debate entre pré-candidatos

O governo federal ficou na berlinda hoje, durante a sabatina promovida pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) com os três principais pré-candidatos à Presidência - o tucano José Serra, a petista Dilma Rousseff e Marina Silva, do PV. Ao longo de mais de três horas em que os presidenciáveis responderam às perguntas da CNM, os gastos do governo dominaram os debates e todos defenderam prioridade à reforma tributária.

CHRISTIANE SAMARCO E VERA ROSA, Agência Estado

19 Maio 2010 | 19h53

Serra referiu-se à carga tributária brasileira como "a maior carga do mundo em desenvolvimento". Foi a deixa para ele mesmo criticar a proposta da adversária petista de retomar a CPMF. Disse que em um eventual governo dele, "a carga não vai subir mais porque a sociedade e a economia não aceitam".

Serra criticou o loteamento político dos cargos públicos, as altas taxas de juros, o sacrifício que a União impõe aos municípios e ainda ironizou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), gerenciado pela ministra Dilma. Marina também cutucou a petista dizendo que "o Brasil não precisa de gerentes, e sim de um líder que tenha pensamento estratégico". A candidata do PV citou dois líderes: Lula, que reduziu a pobreza, e Fernando Henrique, que conduziu o Plano Real.

Em resposta às reclamações da CNM por conta do aumento dos gastos com saúde impostos pelo governo, e às críticas de Serra à redução dos investimentos no setor, Dilma partiu para o ataque. Disse que não é "pessoa que se presta à demagogia eleitoral quando se trata de questões relevantes como a saúde" e que o atual governo tirou o País de "uma época terrível, sem planejamento".

Todos prometeram um governo municipalista sem olhar colorações partidárias. Diante da plateia de prefeitos, a candidata do presidente Lula declarou-se contra "fazer bondade com chapéu alheio", em resposta às queixas dos municípios que perderam receita por conta das desonerações de impostos federais. Serra disse que fez as contas e que as perdas somaram R$ 1 bilhão no ano passado. Dilma defendeu o diálogo para discutir a questão e aproveitou para dar uma estocada no governo tucano que teria usado "cães e a polícia contra os prefeitos", para reprimir uma Marcha Municipalista em 1998.

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