Gasto da Câmara de SP com funcionários sobe 80%

Os gastos da Câmara Municipal de São Paulo com funcionalismo avançaram 80% e o custo médio por vereador passou de R$ 5,6 milhões para R$ 8,2 milhões nos últimos quatro anos. A folha de pagamento cresceu por meio de atos da Mesa Diretora, comandada por Antônio Carlos Rodrigues (PR), e permite hoje a um funcionário do Legislativo municipal ganhar mais que um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF): R$ 26.723.

AE, Agência Estado

04 de novembro de 2010 | 09h46

Desde 2007, o presidente da Câmara e hoje líder do "centrão" reajustou salários, contratou funcionários, criou bônus de pagamento e incorporou gratificações aos vencimentos - que hoje podem ultrapassar o teto salarial do Judiciário. No próximo ano, o orçamento da Casa reserva R$ 230,5 milhões somente para pagar os vencimentos e as vantagens fixas dos funcionários - em 2007, foram R$ 128,1 milhões. No mesmo período, o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que mede a inflação, avançou 19%.

Grande parte do aumento se deve à contratação de funcionários - o quadro passou de 1.668 trabalhadores em 2007, quando Rodrigues assumiu, para 1.918 neste ano, um aumento de 15%. Além disso, a folha de pagamentos da Câmara foi inflada por benesses. Quatro meses após assumir a presidência, Rodrigues conseguiu aprovar o chamado "trem da alegria", um projeto que aumentou a verba de contratação de assessores para os vereadores, abriu concurso público para 250 funcionários, diminuiu o tempo de trabalho necessário para as promoções internas e criou a possibilidade de se incorporar várias gratificações ao salário.

Politicamente, a maioria dos vereadores apoiou as decisões - o que facilitou as três reeleições de Rodrigues à presidência e viabilizou sua indicação como suplente da senadora eleita Marta Suplicy (PT). Mas há vozes na Câmara contra o inchaço salarial. "Os funcionários já estão acumulando os mesmos benefícios que tinham antes de 2003. Já tem gente ganhando R$ 35 mil, R$ 40 mil", disse o vereador Cláudio Fonseca (PPS), coordenador da reforma na época.

Justificativa

O presidente da Câmara Municipal de São Paulo, vereador Antonio Carlos Rodrigues (PR), afirmou que o aumento de 80% dos gastos se justifica pela melhora na infraestrutura física e técnica da Câmara. Segundo ele, a maior parte dos gastos se explica pela substituição de 250 funcionários comissionados da Prefeitura por outros contratados. "Se você subtrair esse custo, não dá 80% de aumento, e sim 20%, 30%", afirmou Rodrigues.

Entre as melhorias na Câmara, o vereador citou que hoje toda comissão e toda Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) tem um procurador, enquanto antes não tinha. "Todos os gabinetes têm computador e todo vereador tem laptop. Antes, era só máquina de escrever. Informatizamos a casa, e isso tem custo", justificou.

Rodrigues ainda negou que haja viés político no aumento dos gastos. "O inchaço foi técnico. Colocamos a Câmara onde ela devia ser colocada. Não tem nada político. É tudo funcionário concursado". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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