Ed Ferreira/AE - 15/09/2011
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Gastão Vieira: 'Vou chegar ao fim do mandato na maior tranquilidade'

O novo ministro do Turismo - que substituiu Pedro Novais, varrido da Esplanada após a sucessão de escândalos - disse que só depende dele a manutenção na pasta

Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2011 | 19h58

BRASÍLIA - O susto de Gastão Vieira com o novo cargo já passou. Em entrevista ao Estado, o novo ministro do Turismo - que substituiu Pedro Novais, varrido da Esplanada após a sucessão de escândalos -- diz que está tranquilo e vai ficar até o fim.

 

Na sua cerimônia de posse, a presidente Dilma defendeu "escolhas políticas". A sua indicação foi uma vitória do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP)?

Dizer isso seria dizer que o partido a que pertenço não teve nenhum papel na minha indicação. Contei com o apoio integral da bancada: do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN); do vice-presidente da República, Michel Temer; e é claro que, sendo do Maranhão, ligado politicamente há muito tempo ao senador Sarney, não seria ele que não iria vibrar com a minha indicação.

 

O Sarney desempenhou um papel forte.

Sou maranhense, pertenço ao mesmo grupo político do Sarney. Tenho uma história de vida no Parlamento, penso pela minha própria cabeça. Muitas vezes sou muito mais fiel ao meu eleitor do que a qualquer conveniência política, tá certo? Outras pessoas que me conheceram nessa trajetória podem ter influenciado nessa minha escolha, são muitas pessoas.

 

Saiu um deputado do Maranhão, do PMDB, aliado de José Sarney, e assume outro deputado do Maranhão, também do PMDB, outro aliado de Sarney. O que muda, de fato?

São as circunstâncias da vida. Eu sou maranhense, tenho orgulho, sou parlamentar, tenho orgulho, sou do PMDB, sou aliado do Sarney.

 

O PMDB começou o governo Dilma com cinco ministros, mas três deles já caíram em um intervalo de nove meses. O senhor acha que vai conseguir chegar ao fim do mandato sem escândalos?

Não vou cair. Assumo o trabalho que vou fazer, tenho espírito público, uma história de vida bem conhecida. Não vou cair. Vou chegar ao fim do mandato na maior tranquilidade. Depende de mim esse bom trabalho e tenho certeza de que posso fazê-lo.

 

No seu discurso de posse, o senhor disse que aceitou o convite da presidente Dilma com medo, assustadíssimo. O espanto já passou?

Ah, claro. Não sabia, naquele momento, a dimensão do trabalho que teríamos de realizar. Uma semana depois, conhecendo os projetos, estou tranquilo.

 

O seu antecessor, Pedro Novais, pediu ressarcimento à Câmara dos Deputados de despesas em um motel e caiu após a revelação de que pagou com dinheiro público o salário da governanta e de que a mulher usava irregularmente um funcionário da Câmara dos Deputados como motorista particular. O que o senhor acha dessas práticas?

A Câmara tem de definir melhor a utilização da verba indenizatória, porque muitas vezes um parlamentar é acusado de ter praticado um ato que não é ético, mas ele não praticou um ato que não é legal. Compete à Câmara clarear a utilização da verba indenizatória, deixar mais claro o que pode e não pode.

 

O senhor não acha que o ministro Pedro Novais errou?

Não vou julgar o ministro Pedro Novais. A regra prevalecente para a utilização da verba indenizatória não era suficientemente clara para dizer que ele não podia fazer aquilo.

 

O senhor usou ou usa servidores públicos para fins pessoais, como fez Pedro Novais?

Absolutamente, não. Todo o meu pessoal da Câmara foi exonerado, não pertence mais ao meu gabinete. Quem ficou com meu suplente ficou, quem não ficou está desempregado. E eu não costumo ter essa prática.

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