Gas Energy: baixos reservatórios afetam Petrobras

Os baixos reservatórios das usinas hidrelétricas também têm afetado a Petrobras. A companhia precisa comprar no mercado superaquecido gás natural liquefeito (GNL) para abastecer as usinas termelétricas flexíveis, acionadas durante o período seco. No cálculo da consultoria Gas Energy, o prejuízo é de cerca de R$ 240 milhões por mês.

SABRINA VALLE, Agência Estado

08 de janeiro de 2013 | 18h38

Somado com o prejuízo da companhia com a importação de diesel e gasolina, a Petrobras tem perdido US$ 1,12 bilhão por mês com a importação de combustíveis a preços mais altos do que os de revenda.

A Petrobras refuta o cálculo da consultoria sobre o gás, mas não revela quanto perde. A companhia diz que o negócio das térmicas flexíveis precisa ser avaliado num "horizonte de tempo compatível com a duração dos contratos, de 15 a 20 anos", diz, em nota à Agência Estado.

O desconto no GNL acontece porque a Petrobras fechou, em 2006, 2007 e 2008, por exemplo, contratos flexíveis para entrega (despacho) a termelétricas a preços pré-determinados. A companhia fica com o risco de arcar com possíveis altas de preço no mercado spot (livre) de GNL, em momentos em que o setor está em alta no mundo, como agora.

O presidente da Gas Energy, Marco Tavares, critica o modelo assumido pela Petrobras, em que a companhia compra no mercado spot e vende no modelo flexível. "O problema está no modelo, uma empresa privada não assumiria este risco, pois pode não ser financiável. Não tem como prever, não tem como se proteger", disse. "No passado, o governo propôs e a Petrobras aceitou".

A Gas Energy calcula que a Petrobras tem recebido no máximo US$ 12 por milhão de BTUs no despacho flexível das termelétricas, enquanto paga cerca de US$ 18 por milhão de BTUs no mercado spot. As perdas acontecem em cima da diferença de US$ 6. Como não é possível prever a demanda, a Petrobras também não tem como se proteger (hedge).

Até novembro de 2012, a Petrobras importou 11,9 bilhões de metros cúbicos de gás, o maior volume em mais de uma década. O engenheiro Luis Olavo Dantas, consultor e editor do site sobre gás natural Gasnet, lembra que o Brasil é abastecido por produção nacional (na casa de 70 milhões de metros cúbicos/dia), pelo gasoduto da Bolívia (30 milhões de metros cúbicos/dia) e pelo gás natural liquefeito (GNL). Foram em média 13 milhões de metros cúbicos/dia de GNL em 2012, chegando de navio ao Brasil na forma líquida a baixas temperaturas.

A Petrobras esquenta o gás importado líquido para que volte ao seu estado inicial em dois terminais de regaseificação, no Rio e no Ceará, somando capacidade para 21 milhões de metros cúbicos/dia.

No contrato flexível, a Petrobras fornece o gás quando as termoelétricas precisam ser acionadas para compensar a produção insuficiente das usinas hidrelétricas. "Não há demanda firme o ano inteiro, por isso o contrato é flexível, não há necessidade de contrato firme", disse Dantas.

A Petrobras defende o modelo: "As termelétricas flexíveis têm papel de grande importância uma vez que são acionadas em complemento às hidrelétricas, nos momentos de baixo nível de reservatório e/ou baixas afluências".

Em 2010, também houve despacho térmico elevado, embora em menor nível do que hoje. No entanto, o gás no mercado internacional estava em cerca de US$ 8 a US$ 10 por milhão de BTUs, segundo a consultoria.

Segundo Tavares, o prejuízo da Petrobras foi evidenciado em novembro com o aumento do despacho e a situação não deve se alterar antes de março. "Mesmo com chuvas, as usinas movidas a gás são as últimas a serem desconectadas. Primeiro são as a diesel e a óleo combustível", disse Tavares.

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