Garotinho vence Rigotto e aguarda decisão da Justiça

O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho foi o vencedor da consulta feita pelo PMDB para apontar o candidato à Presidência da República. Às 21h deste domingo, com 98% dos votos apurados, Garotinho vencia com 49,4% dos votos válidos, contra 38,2% do governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto.Se o partido conseguir derrubar na Justiça a liminar que suspendeu o valor oficial da consulta, Garotinho será o candidato do PMDB à presidência.Garotinho foi o primeiro a chegar à liderança do PMDB, onde foi centralizada a apuração, e não quis fazer comentários sobre sua vitória. Disse apenas que "quem ganhou foi o PMDB". Uma claque formada por cerca de 10 partidários esperou o ex-governador com bandeiras e palavras de ordem. Até às 21h30, Rigotto ainda não havia chegado para o anúncio do resultado.Pesos diferentesGarotinho venceu a consulta em uma estranha combinação. Em número de votos, Rigotto venceu o rival por uma diferença de 2.664. Foram 7.574 votos para o governador gaúcho e 4.910 para Garotinho. Entrou em ação, no entanto, uma média ponderada dos votos que deu mais peso para alguns Estados do que para outros.Antes da consulta, o partido estabeleceu que o valor do voto seria proporcional ao número de votos que o Estado deu ao partido na última eleição. Nessa conta, o Rio Grande do Sul, onde Rigotto venceu por 2.600 a 60, valia 4% dos votos. Já o Rio de Janeiro, onde Garotinho venceu por 926 a 36 votos, representava 14% dos votos válidos.As regras, criada pelo deputado federal Eliseu Padilha (RS), foram aceitas por ambos os candidatos, já começaram a ser questionadas antes mesmo da apuração ter sido totalmente encerradas. Partidários de Rigotto reclamavam que seria inviável validar uma votação em que o governador venceu por 50% de votos a mais.A discussão esquentou antes mesmo dos dois candidatos chegarem à liderança do PMDB na Câmara. No Rio Grande do Sul, contas feitas pelo PMDB local usando os mesmos percentuais de proporcionalidade davam a vitória a Rigotto, mas a na direção nacional o Garotinho já estava sendo considerado o vencedor.Guerra de liminaresSem contar a confusão interna, o PMDB ainda não sabe nem mesmo se vai poder considerar os resultados como uma decisão oficial do partido. O PMDB ainda enfrenta uma guerra de liminares na Justiça para confirmar o resultado. Três decisões do presidente do Superior Tribunal de Justiça, Edson Vidigal, proibiram a realização das prévias, o que obrigou o partido a transformá-las em uma consulta informal.Vidigal já tinha concedido duas liminares impedindo as prévias à ala governista do partido - que não quer a candidatura própria e sim a vice-presidência da chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A segunda foi concedida depois das 22h de sábado, quando Vidigal voltou às pressas do Maranhão para derrubar a liminar concedida pelo ministro Hamilton Carvalhido na noite de sexta-feira e que mantinha as prévias.Neste domingo, Vidigal derrubou ainda outro pedido do partido, de reconsideração da decisão. No entanto, o mesmo pedido deve ser julgado durante esta semana por uma das turmas do STJ. O partido ainda espera também a decisão de uma ação impetrada no Supremo Tribunal Federal (STF).A guerra de liminares criou situações inusitadas. Em Alagoas, o presidente estadual do partido, o senador Renan Calheiros - também presidente do Senado e que é da ala governista - impediu a abertura do diretório para realização da consulta, outros peemedebistas colocaram a urna em cima de um carro na frente da sede do partido para fazer a consulta.Na Paraíba, a consulta acabou sendo feita por aclamação, sem cédulas, e o resultado foi impugnado.

Agencia Estado,

19 de março de 2006 | 22h50

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