Garotinho tenta se cacifar para governo do Rio

Ex-governador vai entrar no PR e busca reaproximação com presidente para superar Cabral

Alexandre Rodrigues, RIO, O Estadao de S.Paulo

13 de junho de 2009 | 00h00

Prestes a ingressar num partido da base aliada, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho ensaia uma reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sentindo o terreno para se lançar ao governo do Estado em 2010, trocou os ataques a Lula pelo elogio à ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, preferida do presidente para a sua sucessão. Se viabilizar sua candidatura, cuja definição promete para setembro, Garotinho poderá disputar o palanque de Dilma e até o apoio de Lula com o ex-aliado, governador Sérgio Cabral (PMDB).Na tentativa de superar o ostracismo imposto por Cabral, Garotinho deixou o PMDB e se filiará ao PR no próximo dia 22. Segundo ele, com o aval de Lula. Nas negociações para fechar com a legenda, conversou com interlocutores do presidente, como os ministros dos Transportes, Alfredo Nascimento (PR), e das Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB)."Recebi uma mensagem de que o presidente não se sentiria incomodado com a minha presença no PR e que teria até vontade de, mais à frente, ter um encontro comigo. Afinal, uma pessoa que o apoiou três vezes não teria motivo para divergências", relata o ex-governador.AVENTURAAo receber Garotinho no PR, os dirigentes avisaram que não há espaço para uma aventura à Presidência como tentou em 2006 pelo PMDB. O PR deve engrossar a aliança de Dilma.Ele chegou a flertar com os tucanos, mas preferiu trocar os ataques a Lula, cultivados no choque do governo da mulher, Rosinha Matheus (PMDB), com o Planalto, pelo alinhamento por meio de Dilma."Uma coisa é a Dilma. Terei toda a facilidade, se for candidato a governador, de dar meu palanque a ela. Sendo outro candidato do PT, temos que conversar", diz Garotinho. Ele diz que gostaria até de ter o presidente também no seu palanque, quando for disputar o governo. A aspiração de Garotinho é a principal ameaça ao projeto de reeleição de Cabral, que se baseia na condição de cabo eleitoral exclusivo de Dilma e único abençoado por Lula. Esse é o motivo do entrevero do governador com o prefeito petista de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, que insiste em se lançar numa candidatura alternativa ao governo estadual.Embora lidere as pesquisas de intenção de voto a um ano e meio do pleito, Cabral parece ter dificuldades de superar os 30%. Lula tem índices de aprovação mais altos do que o aliado no Rio e deve ajudá-lo mais do que ter Dilma beneficiada.Por outro lado, com a saída de Garotinho, Cabral ganha mais controle sobre o PMDB fluminense. Embora cresça acima dos 10% nas últimas sondagens, Garotinho ainda tem alta rejeição. "Lula não se envolveu muito no Rio em 2008, mas indica que virá com tudo para ajudar Cabral. O governador tem índices baixos, mas pode melhorar se souber traduzir bem para si as obras do PAC, ainda muito associadas a Lula", avalia a historiadora Marly Silva da Motta, do Centro de Pesquisa e Documentação da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV).

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