Garotinho quer que bancada seja liberada para votar contra reformas

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, defendeu hoje, na reunião da Executiva do PSB, a liberação do voto da bancada de seu partido contra as propostas de reforma do governo que tramitam no Congresso. No caso da contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos, prevista na proposta de reforma da Previdência, ele disse que a maioria dos parlamentares do PSB votará contra, embora o PSB faça parte da base de apoio do governo. Ele citou o caso do deputado Alexandre Cardoso (PSB-RJ), membro da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, onde a proposta está tramitando, que já declarou voto contrário à taxação. Em tom crítico em relação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Garotinho afirmou que existem dois Lulas: "Aquele que apoiamos na eleição - e que continuamos a apoiar - e este aí, que não estava previsto". Na reunião da Executiva, o secretário fez um discurso em que defendeu uma reflexão do partido sobre sua posição em relação às reformas. No discurso, segundo ele próprio contou posteriormente, ele questionou se Lula tivesse sido eleito se tivesse apregoado o que está fazendo no governo. "Se o presidente Lula tivesse defendido, durante a campanha, as ações que adotou ao chegar à presidência da República, será que o resultado da eleição seria o mesmo?", indagou. "Se Lula anunciasse antes que iria dar 1% de reajuste aos funcionários públicos; que iria cortar gastos sociais para pagar juros aos bancos; se anunciasse que iria colocar um ex-presidente do BankBoston para comandar o Banco Central e que iria tornar a CPMF definitiva e aumentar alíquotas de diversos impostos, será que o resultado da eleição seria o mesmo?" Para Garotinho, as mudanças nos critérios a serem adotados na convenção do PSB, no segundo semestre, vão reequilibrar as duas visões que existem dentro do partido: a do grupo que segue e apóia incondicionalmente o governo federal e a do outro grupo, que discorda e acha que a política adotada pelo governo "é a antítese de tudo o que nós pregamos até hoje e que o próprio candidato para presidente também pregava em campanha". Um dos novos critérios que a Executiva está definindo para a próxima convenção é a redução dos delegados, cujo número passará de cerca de 6 mil para em torno de 600, de acordo com a proporcionalidade e desempenho eleitoral do partido nos Estados. A reunião da Executiva ainda continua. Amanhã, ela deverá decidir se o partido fecha questão em relação às reformas.

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