Garotinho ironiza união Itamar-Brizola

O governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), ironizou a possibilidade da formação de uma frente de oposição para sucessão presidencial em 2002, patrocinada pelo governador de Minas, Itamar Franco (PMDB) e pelos ex-governadores Ciro Gomes (PPS) e Leonel Brizola (PDT). Brizola tenta convencer Itamar, cada vez mais insatisfeito com seu partido, a sair candidato pelo PDT, tendo Ciro como vice. "Eu acho que vai ser muito interessante. Fico imaginando uma visita do Itamar Franco e do Brizola à Companhia Siderurgica Nacional, em Volta Redonda, onde terão que explicar aos trabalhadores que foi o candidato dele, o Itamar Franco, quem vendeu a CSN", disse Garotinho. "Vai ser uma cena digna de um filme." Brizola, que admite procurar o PT para discutir a frente, veta qualquer negociação com o governador do Rio, expulso do PDT no ano passado. Garotinho também atacou Ciro Gomes, a quem chamou de "pai do desemprego" no Brasil. "Hoje o grande problema do Brasil é o desemprego, e se há alguém que fulminou a indústria nacional, sem contrapartida, foi o Ciro Gomes, quando ministro da Fazenda do Itamar Franco", criticou. "Ele tirou todas as alíquotas de importação e fez com que os produtos estrangeiros, sem nenhuma contrapartida para os produtos brasileiros, invadissem o mercado brasileiro. Todo o desempregado quando olhar o Ciro Gomes na tevê deve dizer: ele quem tirou o meu emprego?."O governador do Rio participou de uma solenidade inédita na política fluminense: a filiação ?fake?, ao PSB, do ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde (sem partido). A executiva regional do partido ainda não deliberou sobre o assunto, mas correligionários de Conde e Garotinho fizeram uma grande festa, em um clube na Tijuca, zona norte do Rio, para receber o ex-prefeito. Para contornar o insólito, Conde disse que a festa era para tornar público seu desejo de entrar no PSB. Garotinho abonou o pedido de Conde, mas a filiação de fato ainda será discutida pelos socialistas na próxima quinta-feira. "Eu não me filiei ao PSB. Hoje, tive apenas a minha ficha abonada pelo governador, e ela seguirá o rito partidário, sendo analisada pela Executiva", explicou Conde. Os socialistas estão divididos entre aceitar ou não o ingresso de Conde no partido. O presidente regional do PSB, Alexandre Cardoso, defende a entrada de Conde, que deixou o PFL por discordar da filiação do prefeito César Maia, seu adversário político, mas os socialistas históricos, liderados pelo deputado estadual Jamil Haddad, ainda não estão convencidos. Os históricos acreditam que o PSB está perdendo a sua identidade.

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