Garotinho é intimado pela Receita Federal

O governador Anthony Garotinho (PSB) e a primeira-dama Rosinha Matheus foram intimados por fiscais da Receita Federal na tarde de ontem, por causa das denúncias de fraude no programa "Show do Garotinho", exibido na TV Bandeirantes e na rádio Tupi em 1995, onde foram sorteados dez carros e uma casa. Os dois têm até 20 dias para apresentar toda a documentação relativa às declarações de renda dos últimos cinco anos. O advogado de Garotinho, o tributarista Guilherme Rezende, disse que "a orientação do governador é pagar", caso haja algum auto de infração sem possibilidade de defesa.Garotinho recusou-se a falar sobre a acusação de que teria participado diretamente de uma operação para tentar subornar o auditor fiscal Marcos Pereira de Azevedo, publicada hoje pelo jornal O Globo, e viajou de manhã para o interior do Estado, se isolando no município de Itaocara, a 270 quilômetros da capital.FitasÀ tarde, as lideranças do PT e do PDT foram à Procuradoria da República no Rio entregar duas representações contra o governador. Os deputados Chico Alencar (PT), Paulo Pinheiro (PT) e Paulo Ramos (PDT) solicitaram ao Ministério Público Federal que requisite as fitas em que, supostamente, há conversas gravadas de Garotinho com o hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Jonas Lopes de Carvalho. Nessas conversas, o governador teria aprovado o pagamento de propina ao fiscal e teria conversado com Carvalho sobre um esquema de maquiagem no balanço da Garotinho Editora Gráfica Ltda., empresa que promovia os sorteios na TV e estava em nome do conselheiro do TCE e da primeira-dama do Estado. Carvalho, que também deverá ser intimado pela Receita, não quis falar sobre o assunto hoje.A Coordenadoria Criminal do MPF já havia aberto procedimento administrativo para apurar o envolvimento do auditor fiscal, mas o caso ainda não tinha sido distribuído para um dos procuradores da área criminal até o fim da tarde. "Queremos que o MPF requisite as fitas para aferir a autenticidade de seu conteúdo, porque a denúncia de suborno que pesa sobre Garotinho é muito grave", afirmou Alencar.O deputado disse que o "pior caminho para o governador é o do silêncio", referindo-se à viagem de Garotinho para o interior do Estado, onde ele inaugurou obras de reforma de um conjunto habitacional para 120 pessoas e de iluminação de uma ponte."Em tese, há um conjunto de ilicitudes, como o uso da boa fé para enganar o povo", afirmou Alencar, referindo-se ao sorteio supostamente fraudado - de acordo com a denúncia de Valéria Freitas, que foi assistente de produção do programa, o sorteio da casa e de um carro foi fantasma. "É evidente que havendo inquérito e processo criminal, se o governador for condenado, é claro que a assembléia legislativa deve abrir processo de impeachment, porque o pressuposto do mandato público é a idoneidade e lisura", afirmou Alencar.O deputado defendeu que a primeira-dama e o conselheiro do TCE sejam afastados de seus cargos durante as investigações - Rosinha coordena todos os projetos da área social do governo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.