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Garotinho diz que não faz oposição a Lula e quer ficar no PSB

Ameçado de expulsão do PSB por causa das críticas freqüentes ao governo federal, o ex-governador e atual secretário de Segurança do Rio, Anthony Garotinho, afirmou hoje que não está fazendo oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas apenas sendo coerente com o que defendeu na campanha presidencial. Garotinho disse que quer ficar no PSB. A executiva nacional do partido reúne-se na próxima semana para decidir o destino do ex-governador. Garotinho já avisou que, se for expulso, não ingressará em nenhum outro partido. Sua mulher, a governadora Rosinha Matheus, anunciou que, nesta hipótese, também deixará o PSB e ficará sem legenda."Dizem que quero fazer oposição ao Lula. Eu não quero fazer oposição ao Lula e nem ao governo", disse o secretário, durante solenidade de entrega de novos carros da Polícia Militar. Garotinho repetiu, porém, várias críticas que vem fazendo ao governo federal, especialmente contra a reforma da Previdência e as altas taxas de juros. "Eu apenas estou cobrando do governo coerência em pontos muito claros: quanto à questão da política macroeconômica, que era alvo de críticas do próprio candidato do PT durante a campanha, quanto à reforma da Previdência e quanto à reforma tributária. No meu entender a reforma da Previdência deve ocorrer, mas sem mexer nos direitos adquiridos e sem afetar profundamente as carreiras típicas de Estado, porque isso enfraquece. Ninguém quer uma Justiça fraca", declarou.O ex-governador disse ainda que "essa história de transformar a CPMF em permanente é uma covardia com a população". Na semana passada, Garotinho disse que, se tiver de sair do PSB, será "a contragosto" e comentou o destino de Rosinha e de prefeitos e deputados que são seus aliados: "A governadora já disse que sairá comigo. Agora, cada um é livre para buscar o seu caminho. Cada um vai tomar a decisão conforme a sua consciência". Para Rosinha e Garotinho não há problema em ficar sem legenda ano que vem, porque as eleições são municipais e eles não serão candidatos. A dificuldade será para os aliados do casal que pretendem ser candidatos a prefeito ou a vereador. Garotinho disse ter "visibilidade suficiente" para continuar na política sem partido e planeja, se deixar o PSB, dedicar-se apenas à Secretaria de Segurança. "Afinal de contas, foram 15 milhões e 200 mil brasileiros que confiaram na minha proposta", observou o secretário, se referindo ao número de votos que teve na eleição presidencial, quando ficou em terceiro lugar, atrás de Lula e José Sera (PSDB) e na frente do atual ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes (PPS).O secretário-geral do PSB, deputado federal Renato Casagrande (ES), defende que a direção nacional "encontre um caminho negociado para Garotinho sair do partido". Casagrande levará a tese à reunião da executiva nacional. O ato público organizado pelo ex-governador na última terça-feira, chamado Acorda Lula antes que seja tarde foi, para o dirigente socialista, um ?fato isolado"."Independentemente da manifestação, Garotinho está desrespeitando decisões do partido, não consegue fazer política em conjunto. O PSB já não está mais tendo a colaboração dele", justifica Casagrande. Com a natural saída da governadora Rosinha, no caso de Garotinho deixar mesmo o PSB, o deputado reconhece que perder o governo de um Estado como o Rio de Janeiro será prejudicial, mas argumenta: "É melhor perder do que fingir que está tudo bem."

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