Garotinho deve tentar prefeitura de Nova Iguaçu

Mais que o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo fluminense, o casal de ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho (PMDB) deixa para trás em 1.º de janeiro de 2007 o sonho de usar o governo do Rio como plataforma para chegar à Presidência da República. O domínio da máquina estadual desde 1999, interrompido por nove meses em 2002 e retomado em janeiro de 2003, não foi suficiente para levá-lo a vencer nacionalmente o PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, sem verbas nem cargos sob seu controle, Garotinho e a mulher tentarão reconstruir suas carreiras, na esperança de aprontar nova aventura presidencial em 2010. Com nomeações de técnicos ligados ao governo federal, como o futuro secretário de Fazenda, Joaquim Levy, e políticos do PT, como a ex-governadora (e arquiadversária do casal) Benedita da Silva, futura secretária de Assistência Social e Direitos Humanos, o novo governador, Sérgio Cabral Filho (PMDB), já indicou seu perfil. É o desenho de um aliado do governo Lula, de quem Cabral Filho quer investimentos, como a linha 3 do Metrô. Pesquisadores e políticos apontam na saída do casal do comando político do Estado sinais de encerramento de ciclo político, como aqueles protagonizados no Rio pelos governadores Chagas Freitas (1971/1975 e 1979-1983) e Leonel Brizola (1983-1987 e 1991-1994). Mas Garotinho e a mulher têm menos de 50 anos, demonstram apetite eleitoral. Garotinho já avisou que poderá disputar em 2008 a prefeitura de Nova Iguaçu. Rosinha é uma provável candidatura à prefeitura de Campos. "Tudo indica que começa uma nova fase no Estado. O novo governador é pessoa ambiciosa, com pretensões políticas nacionais. Tem buscado apoio em setores diferentes e montou secretariado de alto nível", diz o cientista político Jairo Marconi Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Estado do Rio de Janeiro (Iuperj). "O desgaste de Garotinho é definitivo. Não significa que esteja morto. Pode ser um senador da República, um deputado federal muito bem votado. Mas é difícil que volte ao governo do Rio, e sua ambição presidencial está bloqueada no PMDB." Adversário de Garotinho, o prefeito da capital, Cesar Maia, é cruel: "No Rio, certamente (o ciclo de Garotinho acabou). Mas, como ele tem base evangélica, pode ser candidato por outro Estado." Na briga pela Presidência, Garotinho naufragou duas vezes. A primeira foi em 2002, quando ele, depois de trocar o PDT pelo PSB, renunciou ao governo e se candidatou ao Planalto. Na mesma eleição, conseguiu que Rosinha fosse eleita sua sucessora. Foi nessa condição que entrou no PMDB, para tentar de novo chegar ao governo federal. Abriu uma guerra contra Lula - um aliado que ajudou a elegê-lo em 1998, ao forçar o PT local a apoiá-lo, mas que começou a espantar em 1999, ao chamar o PT de "partido da boquinha". Em 2006, veio o segundo naufrágio. Garotinho apostou na possível candidatura a presidente - Rosinha ficou no cargo após o prazo legal inviabilizando que disputasse outro posto - e perdeu no PMDB, que decidiu ficar sem candidato ao Planalto. Ele acabou sem possibilidade de mandato. Pior: tudo isso ocorreu sob o peso de denúncias de financiamento irregular da sua candidatura por empresas-fantasmas supostamente ligadas a organizações não-governamentais contratadas pelo Estado. A reação de Garotinho foi acusar as Organizações Globo de persegui-lo e fez uma greve de fome que acabou cercada de piadas. Foi mais um desgaste para um ex-governador que voltara à máquina pública como secretário de Segurança, cargo que deixou para tentar eleger Pudim prefeito de Campos em 2004 - outro fiasco, marcado por denúncias de compra de votos. As recentes denúncias de suposto envolvimento do ex-chefe de Polícia e deputado estadual eleito Álvaro Lins (PMDB) com máfias de caça-níqueis formaram o desgaste final do casal. A poucos dias de perder o poder, Garotinho e Rosinha assistiram a provas do fim de seu ciclo político. Na Alerj, isso se concretizou semana passada, na votação de um projeto da governadora, que permitia que o Estado desse em pagamento de dívidas créditos do Fundo de Desenvolvimento Econômico e Social. A proposição empacou no plenário,e Cabral Filho ameaçou ir à Justiça se ela fosse aprovada. Na terça, 19, o Executivo, diante da possibilidade de ser derrotado por sua ex-base, retirou o texto. Cabral Filho vencera o casal em retirada.

Agencia Estado,

24 Dezembro 2006 | 21h37

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