Garotinho critica uso do aparelho do Estado pelo PT

O ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato do PMDB à Presidência da República, Anthony Garotinho, se disse "indignado" com o uso da máquina pública em favor do partido do governo. Em entrevista ao programa ´Roda Viva´, da TV Cultura, ele referiu-se especificamente ao vazamento do sigilo bancário do caseiro, que contrariou a versão do ministro Antônio Palocci, nas páginas de uma revista. "Quem cometeu isso?", indagou. "Daqui a pouco a Caixa Econômica Federal não é mais a caixa do povo brasileiro, é a Caixa do PT", protestou. "O Delúbio Soares está desfrutando uma nova modalidade de lei que existe no Brasil, a lei para os amigos do presidente, e o Sílvio Pereira praticamente confessou que uma licitação milionária da Petrobras foi fraudada. E não acontece nada!"Ainda durante a entrevista, Garotinho garantiu que tem todas as condições de se eleger presidente, ao contrário do que ocorreu em 2002. "Uma campanha presidencial requer alianças muito mais amplas e eu fui um candidato solitário na eleição passada", recordou o pré-candidato do PMDB. "Não dá para ser um homem sozinho numa campanha presidencial, tem que ter uma retaguarda, uma equipe grande. E eu não tinha equipe", prosseguiu o ex-governador. "O tempo ensina as pessoas. E na campanha passada eu tinha uma campanha muito agressiva, o que não é bom para o candidato", frisou. Ele aproveitou para alfinetar o candidato governista prometendo "falar a verdade" e não prometer "aquilo que não se pode fazer". "A grande desilusão dos eleitores com o Lula é porque ele prometeu aquilo que não podia fazer."RigottoEle fez elogios ao governador gaúcho Germano Rigotto, com quem disputou a consulta informal do PMDB, e garantiu que não há ressentimentos entre os dois. "Todos nós defendíamos a mesma coisa: que o PMDB precisa ter um candidato próprio, com um novo programa para o País que pregue o desenvolvimento, a redução da taxa de juros e que leve o País a um longo período de desenvolvimento que não vê já há algum tempo", explicou. "Então, eu não creio que haja ressentimentos. Não há ressentimento nenhum entre os partidários de Garotinho e entre os partidários de Rigotto. Todos são partidários da mesma idéia: de que o partido necessita ter uma candidatura própria."Anthony Garotinho, dentro da nova estratégia de não atacar os adversários, fez elogios ao governador paulista Geraldo Alckmin, mas procurou marcar diferenças. "Em que pese a admiração que eu tenho pelo governador Alckmin, mas o PSDB já foi governo. O que diferencia a minha candidatura do PSDB é que eu posso dizer que vou fazer um programa alternativo porque eu não estive no governo", salientou. Ele ressaltou que, ao contrário do PT e do PSDB, o PMDB é o único partido que ainda não teve a oportunidade de colocar em prática seu programa de governo. "A política econômica dos dois é igual", comparou. "Não há dúvida de que o Lula fez um pouco mais investimentos na área social. Mas a falta de planejamento no governo Lula é uma coisa impressionante."PalocciAnthony Garotinho garantiu ser contra o calote da dívida, mas prometeu que buscará uma "renegociação". Ele prometeu derrubar a taxa de juros, que segundo pensa resolveria o problema do crescimento e, ao mesmo tempo, a questão fiscal do País. "O Brasil tem hoje uma taxa de juros extremamente alta, o que faz com que a dívida brasileira cresça numa velocidade que nós não temos condições de pagar", ponderou. "Na medida em que se diminui a taxa de juros, aumenta a taxa de crescimento e o País vai para um ponto de equilíbrio." Complementarmente ele prometeu reduzir a carga tributária e também aumentar o crédito. "A Índia e a China estão melhores do que o Brasil porque eles estão crescendo, eles escolheram outro caminho (juros mais baixos). Será que eles também estão errados e o Palocci é que está certo?", indagou.

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