Garotinho contesta "interpretação" de conversa

O governador do Rio, Anthony Garotinho (PSB), não questionou o conteúdo da transcrição de uma gravação de seus diálogos, em 1995, com o hoje conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes de Carvalho Júnior, e outras pessoas, divulgada hoje pelo Jornal do Brasil. Contestou, porém, a interpretação que foi dada às falas, de que elas comprovariam sua participação no suborno de um fiscal da Receita Federal, para obter a liberação de sorteios no programa Show do Garotinho. Na fita, Garotinho discute problemas relativos à empresa Garotinho Editora Gráfica Ltda, pertencente à sua mulher, Rosângela Matheus, e a seu amigo Jonas, e que promovia as premiações, mas precisava de autorização oficial da Receita para isso. Em determinado ponto da transcrição divulgada, Jonas afirma que o contador Waldemar Duarte, referindo-se a um fiscal da Receita, disse que o funcionário "falou em 500 pratas". "Cada número, né?", diz Garotinho. "É", responde Jonas. "Tá bom, lance mão", encerra o hoje governador. Para Garotinho, porém, nada disso comprova nada. "Isso tudo é política", afirmou ele, no início da tarde. "A única intenção é prejudicar a minha candidatura à Presidência da República. Li a transcrição da fita. Não há nada de anormal. Não há qualquer envolvimento meu em nenhuma tentativa de suborno. Mais do que isso, o fato de chegar a 20 anos de política tendo como patrimônio uma casa em Campos, herdada da família, é o suficiente para provar que não sou corrupto e não preciso usar de expedientes, como a matéria tentou induzir?, afirmou o governador. ?Em nenhum momento a transcrição comprova suborno ou qualquer irregularidade. Não tenho medo de nenhuma investigação. Quero que seja feita com isenção, porque vai me dar um atestado de idoneidade."

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