Garotinho condiciona candidatura a 15% nas pesquisas

O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), pré-candidato à sucessão presidencial, decidiu que só vai concorrer ao cargo se tiver, pelo menos, 15% das preferências em abril de 2002. Caso contrário, tentará a reeleição. A estratégia foi revelada quarta-feira pelo governador em reunião reservada com cerca de 30 assessores. Hoje à tarde, em visita a Porto Real, no sul fluminense, o governador classificou de "especulação" a informação sobre uma possível desistência em abril, se não tiver chegado a 15%. "Os jornais podem publicar o que quiserem, sou candidato a presidente", garantiu.Caso dependesse dos números atuais, o governador deveria tentar ser reconduzido ao governo do Estado. Sondagem do Instituto Sensus, feita a pedido da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada em agosto, mostrou-o em quinto lugar, com 8,8%, atrás de José Serra (PSDB), com 10%; Itamar Franco (PMDB), com 11,5%; Ciro Gomes (PPS), com 14,9%; e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com 32 9%. Foi o pior resultado de Garotinho desde maio. Em julho, em meio a uma ofensiva de mídia, o governador atingiu seu melhor resultado na série: 13,4%.Na reunião de quarta-feira, o governador fez uma longa exposição sobre seu governo, por julgar, esclareceu, que sua assessoria não conhece bem sua administração. Depois, avisou que os assessores fariam uma entrevista coletiva com ele, podendo perguntar o que desejassem. Um dos presentes indagou se ele será candidato a presidente. "Se eu tiver pelo menos 15% nas pesquisas (em abril de 2002), vou ser candidato; senão, vou concorrer à reeleição", respondeu o governador.O governador também afirmou acreditar que o candidato da preferência do presidente Fernando Henrique Cardoso é o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Ele criticou o pré-canditado à presidente do PPS, Ciro Gomes, e o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que depende do partido para tentar a voltar à presidência, e afirmou que FHC prefere o provável candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, por acreditar ser mais fácil derrotá-lo. Garotinho também disse achar que ainda não é conhecido da maior parte dos 70% que aprovam o seu governo, o que lhe daria espaço para crescer.O presidente regional do PSB, deputado federal Alexandre Cardoso, afirmou desconhecer a disposição do governador de só concorrer se tiver no mínimo 15% das preferências. Ele considerou muito bom o desempenho do governador nas pesquisas até o momento e disse que Garotinho, este mês, vai intensificar seus esforços de campanha."Itamar e Lula são candidatos há anos, para mim o melhor resultado nas pesquisas é o do governador", disse. "Claro que, quando um governador de Estado é candidato, a disposição não é a de se meter em aventuras", argumentou, ressaltando que Garotinho continua candidato.

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