Garotinho cita Eduardo Jorge e ataca o governo

Um dia após a Advocacia Geral da União (AGU) pedir ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o interpele judicialmente, o governador Anthony Garotinho (PSB) acusou o governo federal de proteger, deliberadamente, o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge. Embora dissesse não crer na participação do presidente Fernando Henrique Cardoso na divulgação dos grampos ilegais que supostamente o comprometem no suborno de um auditor, Garotinho voltou a responsabilizar pelo caso o "Planalto" - referência genérica à administração federal, sem citar provas nem nomes. "Provas?" perguntou o governador a um repórter. "Você quer prova maior do que esta? O governo fez tudo para proteger o sigilo fiscal do Eduardo Jorge, por um escândalo, todo mundo sabia o que estava ocorrendo ali, e o meu, que era um caso de 1995, prescrito, fizeram questão de abrir, para tentar me incriminar. Ainda bem que não conseguiram provar nada", disse. A AGU quer que Garotinho esclareça denúncias que fez no último dia 14, quando afirmou que o governo federal estava mobilizando recursos, órgãos e funcionários públicos, inclusive com compra de fitas falsas, para prejudicar sua candidatura à Presidência da República. Garotinho afirmou que seus advogados vão acionar a Receita Federal, que, acusou, ainda não começou a investigar o vazamento de seus dados fiscais. Segundo ele, a inexistência da investigação o faz desconfiar do governo. "Acho muito estranho ter sido quebrado o sigilo fiscal de um governador do Rio e até agora a Receita não ter tomado nenhuma providência para saber quem foi que fez isso", cobrou. "Ou a Receita toma uma providência ou tenho que desconfiar de quê? A Receita pertence a quem?" Garotinho lembrou ter usado, nas denúncias, as expressões "Planalto" e "fontes ligadas ao Planalto". "Vou apresentar à Justiça a própria incoerência do governo", afirmou o governador. "O que eu disse, repito: não acredito que o presidente Fernando Henrique esteja envolvido diretamente nesse assunto. Essas foram minhas palavras desde o início. Porque acredito que seria uma atitude muito mesquinha, essa foi a minha expressão, o próprio presidente estar envolvido." Ele prometeu, "no momento oportuno", dizer quem, no governo federal, está por trás da suposta campanha para desestabilizá-lo.Garotinho disse que ainda não entregou à Receita as declarações de Imposto de Renda que lhe foram exigidas, mas esclareceu estar dentro do prazo de 20 dias que lhe foi dado. "Já analisamos e não há absolutamente nada nos anos que eles pediram", disse.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.