Garotinho apresenta sinais de arritmia

O protesto insólito de Anthony Garotinho, pré-candidato do PMDB à Presidência da República e ex-governador do Rio, ganha ares cada vez mais dramáticos. No quarto dia da greve de fome, nesta quinta-feira, o clima era de velório. A mulher, a governadora Rosinha Matheus (PMDB), e alguns dos nove filhos, estavam abatidos e com os olhos vermelhos, como se tivessem chorado. Garotinho reclama por não ter espaço para se defender das denúncias de que ONGs que receberiam dinheiro do Estado seriam dirigidas por sócios das empresas que fizeram doações para sua pré-campanha.Militantes do PMDB, que nos outros dias ficavam embaixo do edifício no centro do Rio onde fica a sede regional do partido - local escolhido por Garotinho para protestar contra o que classifica de "grande mídia" - iniciaram uma romaria até a sala onde o pré-candidato pode ser visto através de uma porta de vidro. "Nenhum governante fez por nós o que o Garotinho fez. Faça chuva ou faça sol ele estava caminhando ao nosso lado", disse a auxiliar de enfermagem Aline da Penha, de 25 anos, moradora do conjunto residencial Nova Sepetiba, construído no governo Garotinho.Deputados estaduais e federais que apóiam o ex-governador fluminense passaram a manhã reunidos no auditório do PMDB para escrever uma carta de apoio a Garotinho. Nela, pediram que ele abandone a greve de fome para lutar pela candidatura próxima na próxima convenção peemedebista, marcada para o dia 13 de maio. "Precisamos dele de pé, queremos que ele aceite nosso apelo e lute para conseguir ser o candidato do PMDB", disse o deputado federal Pedro Ribeiro (PSC), que foi quem mais conversou com o ex-governador.2,6 quilosApesar dos apelos, Garotinho seguiu irredutível sem comer, passou a maior parte do dia prostrado, com dificuldades para se levantar. Segundo boletim médico, ele já havia perdido 2,6 quilos até a manhã desta quinta-feira. Estava levemente desidratado, com alteração dos níveis de pressão arterial e nos batimentos cardíacos (arritmia cardíaca).Para o médico Abdu Neme, o ex-governador não continuará sem comer além de domingo. Apesar de a Convenção de Malta (que regula as greves de fome) garantir o direito de não se alimentar, Neme disse que "a vida é um valor sagrado" e garantiu que não permitirá que Garotinho morra de fome.No fim da tarde, como nos dias anteriores, Garotinho fez um pronunciamento. Com a voz fraca, cercado dos nove filhos, da mulher e da neta, voltou a acusar a imprensa de não permitir que ele se defenda das acusações e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "O presidente Lula, que hoje critica minha greve de fome porque se tornou um burguês feliz, esquece o tempo em que teve que fazer greve de fome pelos operários do ABC", disse ele.Uma comissão formada pelos deputados federais Leonardo Picciani, Alexandre Santos e Paulo Lima (PMDB), Carlos William (PTC) e Dr. Heleno (PSC) viajou nesta quinta-feira para Washington a fim de ter uma audiência com a comissão política da Organização dos Estados Americanos (OEA). Eles querem "explicar pessoalmente" os motivos que levaram Garotinho a pedir um enviado da organização para acompanhar as eleições. A OEA disse que a carta enviada por Garotinho não tinha fundamento que justificasse o envio de observadores internacionais.

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