Garimpeiros invadem Marabá e exigem indenização da CEF

Cerca de 10 mil garimpeiros que já atuaram em Serra Pelada, no sul do Pará, invadiram hoje a cidade de Marabá para exigir da Caixa Econômica Federal o pagamento de R$ 120 milhões pela venda do paládio - sobra de ouro extraída do garimpo antes de seu fechamento definitivo, em 1989. Eles ameaçam fechar a ferrovia Pará-Maranhão, que leva todo o minério de ferro da Vale do Rio Doce para o porto de Itaqui (MA), se o pedido não for atendido.A Vale, que hoje controla o garimpo, proibiu qualquer atividade na área depois de construir uma cerca com arame farpado em torno da cava, onde ainda existiria cerca de cem toneladas de ouro a 120 metros de profundidadePara impedir a ocupação da ferrovia e depredação das instalações da Vale, o comando da Polícia Militar enviou de Belém uma tropa de 250 homens do Batalhão de Missões Especiais. "Estamos aqui para prevenir tumulto e desordens e esperamos que nenhum tipo de violência aconteça", disse o tenente-coronel Antonio Ferreira da Rocha, comandante da tropa. "Nós queremos apenas aquilo que o governo está nos devendo há mais de dez anos e não paga. Ninguém quer violência, mas também não sairemos sem uma resposta da Caixa Econômica", argumenta Luiz da Mata, um dos líderes dos garimpeiros acampados em frente a sede do Incra. A direção da Caixa Econômica informou que já analisou várias propostas dos garimpeiros, mas se recusa a fechar qualquer acordo para liberar o dinheiro. Ela entende que o pagamento não beneficiaria os garimpeiros e sim as empresas detentoras de "créditos duvidosos" contraídos pelos trabalhadores. O dinheiro, segundo a Caixa, poderá ser usado na construção de hospitais, creches e postos de saúde nos municípios da região.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.