Garimpeiros deixam área produtora de ouro em Apuí

Pelo menos mil dos cerca de seis mil garimpeiros que exploravam ouro em Apuí, a 453 quilômetros de Manaus, às margens do rio Juma, nos últimos três meses, já abandonaram o local. Alguns, sem dinheiro para voltar para suas cidades de origem, pedem dinheiro na prefeitura e a vereadores para as passagens. "Agora perceberam que não dava para enriquecer, não tinha ouro para tanta gente e estamos tentando ajudar esse pessoal a voltar para suas cidades e não ficarem zanzando desempregados em Apuí", disse o prefeito Antonio Roque Longo. Hoje, segundo o prefeito, mais de 70% das pessoas que estão no local são moradores de Apuí e cidades vizinhas, como Novo Aripuanã.Na sexta-feira, a Cooperativa Extrativista Mineral Familiar do Juma (Cooperjuma) conseguiu o Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) e registro na Junta Comercial do Amazonas (Jucea), o primeiro passo para legalizar a área, explorada ilegalmente desde novembro do ano passado. Segundo o superintendente no Amazonas do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), Fernando Burgos, nesta segunda-feira ele recebe os documentos dos garimpeiros e, no máximo até o fim da semana, o garimpo receberá a Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), legalizando a área. Ao mesmo tempo a Cooperativa busca a licença ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).A Cooperativa deve receber do DNPM 10 permissões de mil hectares cada uma, ou cerca de 10 mil hectares no total, para explorar o minério de ouro na região do rio Juma, segundo Burgos. O superintendente afirmou ainda que o presidente da Cooperativa Antonio Pereira já está informado de que o agricultor José Ferreira da Silva Filho, o "Zé Capeta", que dizia ser dono das terras do Juma, terá que receber uma porcentagem do ouro extraído por ter sido o primeiro a requerer a pesquisa do subsolo da área. A pesquisa do subsolo, para estimar quanto de ouro ainda existe na área, está sendo realizada pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM). "Da forma manual como está sendo feito, com o mínimo de impacto ambiental, ainda estimamos que haverá ouro para mais alguns meses, mas em pequena quantidade", disse. Segundo Burgos, os técnicos do CPRM já concluíram o trabalho de coleta das rochas na área do garimpo. O material foi enviado para laboratórios em Goiás, Minas Gerais e para o Canadá. Burgos destacou que o acesso ao garimpo, estradas e portos fluviais, está mapeado via satélite. Depois de legalizada a área, as polícias Federal e Militar vão continuar controlando a entrada das pessoas na área do garimpo, que só a cooperativa poderá autorizar.

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